Onilda Sanches Nincao


NINCAO, Onilda Sanches. “Kóho yoko hovôvo / o tuiuiú e o sapo”: Biletramento, identidade e política lingüística na formação continuada de professores Terena. Tese de Doutorado. Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008

 RESUMO:

Esta tese teve como objetivo geral refletir sobre o processo de produção de textos em língua indígena, por parte de professores Terena do município de Miranda, Estado do Mato Grosso do Sul. Motivados pela ausência de textos escritos em sua língua tradicional que pudessem vir a compor materiais didáticos de apoio para o desenvolvimento de atividades de pós-alfabetização em suas escolas, esse grupo de professores se propôs a elaborar, coletivamente, textos em Terena durante oficinas realizadas como parte de sua formação continuada. Tendo escolhido o tema da primeira narrativa a ser produzida, os professores Terena preferiram, surpreendentemente, primeiro escrevê-la em português (“O Tuiuiú e o Sapo”) para, depois, traduzi-la para a língua indígena (“Kóho Yoko Hovôvo”). Os discursos produzidos durante o processo de elaboração das duas versões da narrativa em questão se constituíram no corpus principal analisado nesta tese. Discursos acerca da produção de uma cartilha de prevenção de DST, escrita em Terena e a utilização do texto “Kóho Yoko Hovôvo” em um evento de letramento ocorrido durante um acampamento de retomada de terra na aldeia Cachoeirinha constituíram registros secundários de investigação. A análise dos dados foi realizada considerando que (a) toda prática discursiva revela processos de construção identitária (MAHER, 1996, 1998; HALL, 2001), (b) em contextos bilíngües, as línguas não ocupam compartimentos isolados (Maher, 2007a) e há uma conjunção entre as práticas de letramento nas duas línguas em questão (HORNBERGER,1989/2003). Os resultados demonstraram que (a) o biletramento que emergiu nas oficinas de textos focalizadas evidencia um procedimento cultural Terena que encontra justificativa nas construções identitárias desse povo ao longo da história – aprender a língua do outro sempre foi uma de suas estratégias políticas (LADEIRA, 2001); (b) a escrita das duas versões da história do tuiuiú e o sapo compuseram um quadro conflituoso, na medida em que questões de caráter político e sociocultural (escrever primeiro em Português) foram, posteriormente, confrontadas com questões de caráter essencialmente lingüístico (escrever em Terena) e (c) a reflexão crítica (MAGALHÃES, 2007) possibilitou, aos professores Terena, a transformação de suas representações sobre a escrita de textos em sua língua tradicional. Espera-se que as reflexões contidas nesta tese possam subsidiar o planejamento de cursos de formação de professores indígenas em nosso país.

Nenhum comentário ainda.

O que você acha? Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: