Mitos e verdades sobre educação bilíngue: relembrando postagem de 2010

Um dos posts que mais gerou comentários, e que eu mais gostei de ter escrito, foi Mitos e Verdades sobre Educação Bilíngue no Brasil”, (clique no título se quiser ler) de 2010. Inspirada pelas perguntas mais frequentes que eu recebia de pais, mães, professores e interessados em geral, procurei desconstruir alguns pré-conceitos e falácias sobre a área.

Este post foi tão popular que gerou outros semelhantes e referências ao original.

Agora, 10 anos após escrevê-lo, vejo que muitos dos mitos mencionados ainda persistem, embora a compreensão sobre o tema tenha avançado neste período. Hoje eu acrescentaria à lista inicial de 9 itens um 10o: o mito do falante nativo.

10. Professores “nativos” ensinam a língua-alvo melhor do que professores que a falam como segunda língua.

Infelizmente esta é uma ideologia linguística ainda muito comum em 2020, especialmente em um país marcado pela colonização que atravessou nossa história, seguida da desvalorização das culturas locais e uma supervalorização das culturas dos colonizadores. Crescemos em uma sociedade que aprendeu que o ideal de beleza, de cultura e de ciência é o outro, o estrangeiro, e este ideal continua a ser reproduzido nos filmes, nas séries, nas músicas e nas escolas.

Algumas pesquisas, porém, demonstram que o professor bilíngue, tendo experiência como aprendiz de língua e capacidade de antecipar as transferências linguísticas entre as línguas de seus alunos, pode colaborar para que a aprendizagem incorpore os elementos das duas línguas e o ajude o aprendiz a perceber como as regras de pronúncia, de gramática ou de ortografia se aplicam a cada uma das línguas.

Conheço excelentes professores brasileiros bilíngues, bem como excelentes professores de outras nacionalidades. O que faz um bom professor não é o local onde nasceu, mas sua formação, experiência e compromisso com a aprendizagem dos alunos. Mais importante que o passaporte é a formação em educação e a proficiência nas línguas de comunicação com os alunos.

Para saber mais recomendo a leitura deste excelente artigo:

Native-speakerism

 

 

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