Crianças brasileiras vivendo fora do Brasil: vamos manter seu bilinguismo?


Samanta saiu do Brasil em busca de novas oportunidades nos Estados Unidos. Falando inglês intermediário, pretendia desenvolver sua fluência e conseguir construir uma vida no país. Embora tenha deixado seus pais e demais familiares no Brasil, o plano de voltar foi sendo adiado, e Samanta se viu ultrapassando seu visto e ficando indocumentada no país.

Mesmo assim não se preocupou muito: adaptou-se às mil maravilhas ao novo país, casou-se com um brasileiro, constitui família e recebeu seus pais para visitá-la, conhecer o marido e os netinhos nos EUA. Trabalhou muito, mas conseguiu ser reconhecida e ter uma boa colocação no país. Seus dois filhos estudaram em escolas locais e falavam inglês como os colegas. Em casa o português foi ficando cada vez mais limitado aos pais, e as crianças pouco contato tiveram com esta língua depois que foram para a escola.

Um dia Samanta foi supreendida pela notícia de que seu pai estava muito doente. Sua mãe, exausta e deprimida, pediu ajuda da filha mais velha. Decisão difícil, mas a família voltou ao Brasil. Desta vez para ficar, pois tendo ultrapassado o tempo permitido para o visto de turista, seria difícil poder retornar… Esteve junto ao pai nos seus últimos anos, e continuou apoiando a mãe nesta fase difícil.

Seus filhos estão bem agora, mas na chegada ao país sofreram muito: aos 6 e 8 anos, a adaptação á escola, com uma língua pouco familiar e muito desafiadora, uma cultura diferente e a situação familiar delicada… Samanta é uma guerreira e todos superaram estes desafios, mas ela diz que se arrepende de não ter mantido a língua da família presente na vida dos filhos, o que teria auxiliado em sua adaptação ao novo país e na formação de uma identidade cultural mais aberta.

brasileiros_no_exterior

Para quem está vivendo uma situação semelhante, ou pensa em morar fora com filhos, vale a pena refletir no caso – muito comum – de Samanta. Há muitas formas de garantir o contato com a língua materna dos pais e demais familiares, e muitos bons motivos para fazê-lo. Por isso compartilho hoje o link “Brasileiros no Mundo“, do Itamaraty, que mantém uma lista de escolas que contribuiem para preservar a língua dos brasileirinhos imigrantes pelo mundo. Vale a visita!

 

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