O que é uma escola internacional?


Existe muita confusão sobre o que é uma escola internacional e o que é uma escola bilíngue. Por isso, esse post vem esclarecer algumas dúvidas comuns de pais e de professores que ainda não tiveram experiência nessas escolas.

As escolas internacionais surgiram, inicialmente, a partir de comunidades de imigrantes e de expatriados que procuravam dar uma educação a seus filhos que não falavam a língua do novo país. Lembremos que no final do século XIX e início do século XX o Brasil recebeu milhares de imigrantes, principalmente de origem italiana, japonesa e alemã, que vinham para substituir os trabalhadores que tinham sido escravizados por três séculos. Foram construídas enormes hospedarias para receber os recém-chegados, como vemos no Museu do Imigrante em São Paulo (Dica: Vale a visita!)

Muitas comunidades se formaram em cidades e bairros como o Bom Retiro e o Brás, em São Paulo, com a construção de um templo e uma escola ocupando lugar de destaque. Nessas escolas as crianças mantinham um senso de identidade, aprendiam a língua do país e preservavam sua língua de origem, além de aprender os conteúdos escolares. Um exemplo é a Deutsche Schule, em Joinville, a primeira escola da cidade que é marco da imigração alemã no sul do Brasil, ou o Colégio Renascença, em São Paulo.
Com a mudança do perfil de imigrantes e a diminuição do fluxo destes países para o Brasil, estas escolas começaram a receber também filhos de famílias brasileiras interessadas em uma experiência internacional e uma formação plurilíngue para seus filhos. O progressivo reconhecimento da qualidade do ensino oferecido nestas escolas aumentou a procura de pais brasileiros, o que tornou as escolas internacionais mais diversas culturalmente e favoreceu o surgimento de novas escolas no final do século XX. Um exemplo é a St Nicholas School em São Paulo, uma escola de perfil britânico cujas atividades iniciaram em 1980.

Com a globalização e a intensificação de trocas linguísticas e culturais no século XXI a procura por estas escolas aumentou ainda mais e elas se tornaram objeto de desejo de pais, tanto pela formação oferecida quanto pelo prestígio que alcançaram.

As escolas internacionais hoje ainda se caracterizam pela vinculação a outro país por meio da adoção de um tipo de ensino inspirado no país a que se remetem, pelo formato do currículo, pelo perfil internacional da comunidade de pais, alunos e professores e pelo interesse em prosseguir estudos fora do Brasil. Embora haja, entre seus alunos, aqueles que optam por cursar o ensino superior no Brasil, a aceitação desses alunos em universidades em diversos países é uma das principais características dessas escolas.

Do ponto de vista do aluno elas proporcionam o contato com colegas de diversas origens, línguas e culturas, proporcionando um contato com a diversidade cultural e linguística, mas uma certa homogeneidade social, pois os altos custos das mensalidades acabam tornando-as possíveis apenas para as classes médias e altas. O corpo docente apresenta uma mescla de professores locais, brasileiros, e professores internacionais vindos de diversos países anglo-falantes, principalmente os países a que a escola se vincula.

Algumas escolas internacionais são credenciadas pela IBO (International Baccalaureatte Organization), oferecendo um currículo de vanguarda, baseado na formação de pensadores críticos comprometidos com valores. A certificação IB é aceita por universidades em mais de 140 países, facilitando o acesso dos alunos a universidades pelo mundo.

Há duas diferenças principais entre escolas internacionais e escolas bilíngues. A primeira diz respeito à composição curricular: nas escolas bilíngues de qualidade há, necessariamente, dois currículos (integrados ou não): o brasileiro e o desenvolvido em segunda língua, enquanto na escola internacional se desenvolve um currículo predominantem
st-nicholasente internacional. A segunda diz respeito à comunidade escolar, muito mais diversa linguisticamente na escola internacional. O St Nicholas, uma escola internacional em São Paulo tem, por exemplo, alunos brasileiros, americanos, argentinos, mexicanos, belgas, japoneses, coreanos, chineses, sul africanos, indianos, entre outras nacionalidades, de modo que as crianças, tendo contato com colegas de diversas partes do mundo, falantes de muitas línguas e vivendo em culturas e religiões diferentes, aprendem pela experiência a desenvolver uma cidadania global e um apreço pela diversidade.

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St Nicholas School Alphaville:  Em uma escola internacional os espaços e materiais são organizados para promover aprendizagem por meio da interação nas línguas da escola. Os alunos são ativos e participativos, e o trabalho em grupo é valorizado.

As escolas bilíngues podem receber também alunos internacionais, mas sua comunidade geralmente é menos diversificada, sendo composta de uma grande maioria de alunos brasileiros. Podem, igualmente, buscar a certificação do IBO, e preocupar-se com uma formação cosmopolita para seus alunos, mas seu currículo acaba priorizando a formação brasileira, tanto por uma questão do próprio projeto da escola quanto pela opção da comunidade.

Há excelentes escolas bilíngues e excelentes escolas internacionais. A escolha depende do perfil da família e do projeto de futuro que está sendo construído para seus filhos. O melhor conselho que este blog pode dar é escolher a escola com cuidado e critério, pois infelizmente há hoje escolas que, apenas por uma questão comercial, se auto intitulam uma ou outra coisa, quando não o são.

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