O que é uma escola bilíngue?


Nesta época do ano é comum que os pais comecem a procurar escolas para os filhos e sintam falta de parâmetros objetivos em que basear sua escolha. Além dos muitos pontos a serem considerados na escolha de uma escola em geral, uma questão importante para os que procuram escolas bilíngues tem a ver com sua definição. Afinal, o que é (e como escolher) uma escola bilíngue?

O objetivo deste post é responder algumas das muitas perguntas que recebo nesse sentido e dar bases para os pais fazerem boas escolhas e para a s escolas se adaptarem ao que, de fato, é uma escola bilíngue.

1) Definição:
Uma escola bilíngue se organiza, em todos os níveis, para proporcionar aos seus alunos as competências necessárias para usar duas ou mais línguas em situações acadêmicas e sociais. Por isso, uma escola bilíngue ensina por meio das línguas e não apenas as línguas, sendo essa a principal diferença em relação a escolas de idiomas. Isso significa que os alunos não tem apenas aulas DE inglês, francês, espanhol, libras ou línguas indígenas, mas tem, principalmente, aulas de diversas matérias EM inglês, francês, espanhol, coreano, libras, línguas indígenas ou qualquer outra.

2) Carga horária:
Todas as escolas brasileiras devem obedecer as determinações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, além de determinações do MEC e dos conselhos estaduais de educação. Essas normas definem, por exemplo, a carga horária mínima, os 200 dias letivos, os parâmetros curriculares nacionais, etc. Isso deve ser feito na língua oficial do país, o português. Para dar conta de acrescentar conteúdos curriculares em uma segunda língua as escolas precisam ampliar a carga horária. O recomendável é que pelo menos 3 horas por dia sejam dedicadas ao ensino na segunda língua. Por isso as escolas bilíngues precisam funcionar em período integral ou semi-integral, garantindo ao aluno tempo para estudo nas duas línguas.

3) Ambiente:
As escolas bilíngues trazem as línguas para a vida do aluno em sua forma falada e em sua forma escrita. Por isso, circulando por escolas bilíngues você verá cartazes, folhetos, trabalhos de alunos, legendas e todo tipo de comunicação nas várias línguas presentes na escola. O aluno aprende assim, cercado de línguas por todos os lados, como de fato acontece no mundo.

4) Metodologia:
Para aprender línguas é preciso tempo, dedicação e metodologia adequada. Por isso as escolas precisam inovar: não adianta o professor falar o tempo todo, o aluno precisa falar também: em seminários, trabalhos em grupo, conversas individuais com professores, etc. O material didático não é o curso, é apenas um recurso para apoiar o aprendizado, e deve ser completado com outros materiais: livros de literatura, filmes, jogos, sites, músicas, e tudo o que contribuir para que os alunos aprendam os conteúdos curriculares usando as línguas de forma significativa e não como “decoreba”. Haverá momentos específicos de pensar sobre as línguas (assim como há aulas de Português em qualquer escola brasileira), para que os alunos possam aprender questões mais específicas sobre a forma: a gramática, a ortografia, o vocabulário, etc. Mas não pode ser só isso.

5) Professores:
Os professores que trabalham na língua materna (L1) não têm a obrigação de falar a segunda língua (L2), é claro. Mas os professores da L2 sim, pois essa será sua forma de comunicação com os alunos. Quanto maior a proficiência do professor, melhor para o aluno, pois ele aprenderá as formas mais convencionais da língua. Não é preciso que os professores sejam estrangeiros, é claro. Por mais que a convivência com pessoas de outros países seja bem-vinda e recomendável – sejam eles alunos ou professores – isso não é um pré-requisito para a contratação de professores, já que a competência não tem nada a ver com a nacionalidade.

6) Demais funcionários:
Já ouvi absurdos como “se a escola é bilíngue até o porteiro deve falar inglês”. Como dizem por aí: Hello! Acorda!
Seria maravilhoso se todos no Brasil pudessem ter acesso ao aprendizado de várias línguas em todas as escolas, não é? Mas você sabe, por sua própria experiência como aluno, que isso não acontece. Cobrar isso é uma grande bobagem. Cada um deve ser bom no que faz. A diretora é a gestora da escola, deve saber dirigi-la, o que já é suficientemente difícil. Se ela falar inglês, tudo bem, mas isso não é exigência para o cargo. O mesmo vale para todos os funcionários da escola, exceto aqueles que trabalham especificamente com o ensino em L2, é claro.

7) Internacionalização:
É altamente recomendável que as escolas bilíngues criem oportunidades para que seus alunos interajam com o mundo, o que, graças à tecnologia, pode ser feito de forma gratuita usando qualquer computador, celular ou outro equipamento. Há escolas que promovem intercâmbios virtuais ou presenciais com outros alunos no Brasil e em outros países. Isso é um ganho enorme para o aluno, pois cria oportunidade de usar aquela língua em contextos significativos e reais, aprendendo seu uso de verdade, não apenas livresco.

Espero que essas diretrizes auxiliem pais na procura de uma boa escola e escolas interessadas em ajustar-se ao que, de fato, é educação bilíngue de qualidade.

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19 Comentários em “O que é uma escola bilíngue?”

  1. Wellington Diz:

    Nossa muito interessante

    Eu Wellington portador de deficiência de baixa audição nível leve e descobri minha deficiência agora com 35 anos de idade eu achava que era normal mais descobri porque tive muita dificuldade na matéria de português pois nos ditados não conseguia acompanhar

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  2. Thay Diz:

    Como funciona os estudos para estudantes do ensino médio que estão planejando entrar agora em uma escola bilingue, mas não falam inglês ou outras línguas ainda?

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  3. Selma Moura Diz:

    Obrigada pela sugestão. Estamos preparando um post sobre esse tema. Continue acompanhando o blog para ver em breve sua sugestão sendo atendida.
    Abraço.

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  4. Selma Moura Diz:

    Olá Janaína. Não, não é possível fazer educação bilíngue com essa carga horária. Trata-se de aula de língua estrangeira, especificamente.
    Abraço,

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  5. Selma Moura Diz:

    Oi Janaina.
    Inúmeras pesquisas têm comprovado que o tempo de exposição à segunda língua é essencial para sua aquisição. Por isso as escolas realmente bilíngues ampliam sua carga horária total entre 10 e 15 horas por semana, oferendo período integral ou semi-integral.
    Para que seja considerado bilíngue o ensino deve ser ministrado EM segunda língua, ou seja, não basta ter aula de inglês, alemão ou espanhol, por exemplo: essas línguas devem ser usadas como ferramentas, meios pelos quais se ensinam os conteúdos acadêmicos.
    Por isso, 90 minutos de aula de língua por semana não caracteriza a escola como bilíngue .
    Abraço!

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  6. victon domingos rondinho Diz:

    olã selma todo bm gostaria si argumenta-se mais sobre a psicopedagogia,bilingue

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  7. janaina salvador Diz:

    Olã Selma, tudo bem, gostaria de saber se uma escola pode ser considerada bilingue ministrado 90m de aulas DE ingles por semana….
    Agradeço a atenção

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  8. Luciana Diz:

    Olá, Selma! gostaria muito de saber mais sobre bilingüe, o ensino bilíngue e sua necessidade, abrangência e efeitos deste tipo de educação para o estudante brasileiro. Será que ela contribui para uma melhor formação? Em caso afirmativo, de que forma? Quem são os favorecidos com e por este tipo de formação?

    Obrigada..

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  9. Fátima Diegues Diz:

    No que consiste as aulas de Inglês numa escola bilíngüe , ou seja, como o professor planeja e dá suas aulas ?

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  10. Selma Moura Diz:

    Olá Yuji,
    Veja abaixo os artigos que falam sobre isso na LDB:

    TÍTULO VIII
    Das Disposições Gerais
    Art. 78º. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de
    fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá programas integrados de ensino
    e pesquisa, para oferta de educação escolar bilingüe e intercultural aos povos indígenas (…)

    Seção III: Do Ensino Fundamental
    Art 32, parágrafo 3º
    O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às
    comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de
    aprendizagem.

    Seção IV: Do Ensino Médio
    Art. 36º. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e
    as seguintes diretrizes:
    I – destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência,
    das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a
    língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício
    da cidadania;
    II – adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos
    estudantes;
    III – será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória,
    escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das
    disponibilidades da instituição.

    A legislação brasileira enxerga as escolas bilíngues como parte do todo de escolas no Brasil, o que as torna sujeitas às mesmas regras e obrigações. Não há legislação específica para as escolas bilíngues, exceto no caso das escolas indígenas, o que é uma conquista importante dos povos indígenas, cuja primeira língua não é o português.

    Espero ter respondido sua dúvida. Abraço,

    Selma

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  11. Yuji Cleiton Uno Diz:

    Olá, Selma! Estive estudando algumas questões sobre o ensino Bilingue e queria tirar algumas dúvidas com você: onde, exatamente, consta a obrigatoriedade das aulas serem em português e em um total de 200 dias letivos? Procurei na LDB e etc mas não consegui achar. Obrigado!

    Curtido por 1 pessoa

  12. claudia medeiros Diz:

    Selma, estou numa busca sobre informações sobre escolas bilingues e dei de cara com seu blog que me ajudou muito. Entretanto, gostaria de saber se já existe alguma legislação específica ou se essas escolas seguem apenas a LDB. E mais: quantas horas semanais de ensino de 2º idioma são necessárias para que uma escola seja considerada bilingue?
    Agradeço desde já suas orientações.
    Um abraço!
    Claudia Medeiros

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  13. ERIKA Diz:

    Olá , Selma, tudo bem?

    Meu filho tem um ano e três meses e ainda não está na escola, mas meu sonho sempre foi dar a ele uma educação bilíngue.

    Como eu sei que existem muitos mitos a respeito, gostaria de sua opinião credenciada sobre alguns pontos:

    1) É adequado já colocá-lo na escola bilíngue com dois anos ou posso esperar que ele faça três anos (que é quando pretendia colocá-lo na escola)?

    2) É verdade que, se colocá-lo na escola bilíngue já tão pequeno, ele vai ter a “segunda língua” como língua nativa?

    3) É produtivo colocá-lo na escola bilíngue dos 2 aos 5 anos e, após, colocá-lo numa escola tradicional e manter apenas o acompanhamento na segunda língua?

    Desde já agradeço sua disponibilidade.

    Atenciosamente,

    Érika

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  14. Selma Moura Diz:

    Olá Simone,
    Infelizmente não tenho como dar uma opinião sobre esta rede, pois não a conheço a não ser superficialmente.
    Abraço,
    Selma

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  15. Selma Moura Diz:

    Olá Maise,

    Realmente é uma decisão difícill, e é preciso pesar todos os prós e contras da escolha. Seguem algumas sugestões para orientar a reflexão:

    1) Pesquisas têm demonstrado que as crianças pequenas têm vários benefícios ao aprender duas línguas simultaneamente, tornando-se bilíngues desde cedo. Para saber mais veja http://www.usp.br/agen/?p=178 e http://bebe.abril.com.br/materia/escola-bilingue. Para usar sua expressão, “quebrar a cabeça com uma língua nova” é uma ótima ginástica para o cérebro.

    2) Se a criança tem a possibilidade de passar meio período na escola e o restante do tempo com a família, esta é a melhor opção, pois ao mesmo tempo em que dá a oportunidade de interagir com crianças de sua idade em um ambiente coletivo como a escola, garante o contato com aqueles que mais amam a criança e que constituirão seu primeiro local de socialização. Mas se a opção for entre ficar na escola em período integral ou ficar com pessoas não habilitadas para educar a criança, o melhor é permanecer na escola.

    3) Quanto às atividades culturais e esportivas, nesta idade as crianças precisam correr, brincar, movimentar-se, explorar espaços e objetos, interagir com pessoas de sua idade e adultos… Muitas escolas garantem atividades diversificadas para os pequenos. Veja se esse é o caso da escola, para decidir entre cursos extra-curriculares ou um tempo maior na escola. Veja também se há escolha entre meio período e período integral, o que pode ajudar em sua decisão.

    4) O custo da educação bilíngue infelizmente é ainda muito alto. Embora comecem a surgir escolas públicas bilíngues no Brasil, são ainda pouquíssimas. Vale consultar o orçamento familiar, pesquisar as opções oferecidas em sua região para decidir a melhor opção. Seja como for, o que a criança aprende nesta idade não é perdido se depois ela mudar de escola, pois acaba sendo uma base forte para seu desenvolvimento em geral e, principalmente, para o desenvolvimento linguístico.

    Espero ter ajudado. Boa sorte na decisão!

    Abraço,

    Selma

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  16. Simone Diz:

    Selma, bom dia! o que você pode me dizer sobre a rede canadense Maple Bear? Grata!

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  17. Marcela Diz:

    Olá selma. Tenho um filho de 9 anos em escola tradicional e estou pensando em colocar ele na escola francesa da minha cidade (no início do próximo ano letivo ele já estará com 10). Minha grande preocupação é a adaptação, tenho medo de fazer a troca e ele não se adaptar e acabar se atrapalhando. Eu e meu esposo não falamos francês, mas gostaríamos muito de um ensino bilíngue que influencie a criança a estudar fora, viajar, que é o que queremos para seu futuro. Caso isso aconteça, a família irá aprender francês junto para incentivar. Como avalio se a escola dará ou não o apoio necessário para que ele se sinta seguro? Sabe me dizer se as escolas do grupo francês (e possuem filiais em todo o país) são realmente uma boa opção. Aqui é a com melhor custo, já que a canadense essa em torno de 3mil e a americana em torno de 7 mil. Obrigada. Abs

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  18. Maise Diz:

    Olá, Selma! Na verdade, gostaria de alguma orientação. Tenho um filho de 2 anos e 9 meses que se encontra no Maternal de uma escola muito boa, daqui de Brasília. Acontece que, recentemente, essa escola foi vendida para o grupo SEB, o qual irá implantar o sistema bilingüe. Eu estou muito empolgada com essa possibilidade, pois é algo q eu planejava para o meu filho. Mas o meu marido, entretanto, está mais cauteloso, e acha q só devemos pensar em escola bilingüe quando nosso pequeno estiver maior. Ele acha muito puxado para uma criança tão nova passar o dia inteiro na escola, perdendo convívio com a família, deixando de praticar esportes e outras atividades prazerosas, quebrando a cabeça com uma língua nova… Outro fator relevante é a questão financeira: tenho medo de deixar meu filho em uma escola q talvez no futuro não consiga bancar, quando sei q a educação bilingüe deve ser continuada… Vc teria alguma sugestão pra dar? Acho os seus comentários muito pertinentes e francos, por isso venho lhe procurar, já q a escola já se encontra em período de rematrículas, e devemos nos decidir logo… Desde já, agradeço a atenção! Parabéns pelo blog! Maise

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