Como formar leitores de verdade

11/04/2012

Biletramento


A leitura deve ser obrigatória?

Delia Lerner
Quem deve escolher os livros que lemos?

Os professores devem fazer provas sobre os livros lidos?

Para que servem as fichas de leitura que vêm em alguns livros?

Essas e outras questões sobre leitura poderão ser melhor respondidas após a leitura do livro “Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário”, de Délia Lerner. Segue um “aperitivo” para a leitura.


Condições Gerais a serem garantidas nas situações em que o professor lê para os alunos[1]


In: Referenciais para a Formação de Professores – MEC/1999. Texto adaptado a partir de idéias da pesquisadora argentina Délia Lerner.

Para que o professor possa ler para os alunos, buscando ser fiel às condições em que a leitura é feita para outras pessoas em situações reais da vida fora da escola, é importante que:

• Explicite sempre os motivos pelos quais deseja compartilhar a leitura com eles: porque o texto trata de uma questão interessante, porque conta uma linda história, porque é atual, porque está relacionado com um tema que se está trabalhando, porque está bem escrito, porque é original, porque é divertido, porque é surpreendente, porque ajudará a classe a resolver um problema ou uma questão com a qual esteja envolvida.

• Demonstre que a qualidade do texto é o que motivou a sua escolha, como algo que vale a pena ser lido porque é interessante, instigante, intrigante ou emocionante…

• Em se tratando de textos literários, evite escolher aqueles em que “o didático” – a intenção de transmitir um ensino moral, por exemplo – supere a qualidade literária, em que o texto é utilizado principalmente como um pretexto para ensinar algum conteúdo escolar.

• Em se tratando de textos informativos, evite escolher textos com informações banalizadas, incompletas, distorcidas, simplificadas, supostamente escritos para um público infantil.

• Compartilhe com os alunos seu próprio comportamento de leitor experiente, mostrando-se interessado, surpreso, emocionado ou entusiasmado com o texto escolhido – relendo, sempre que valha a pena ou seja necessário, certos trechos, como a passagem mais surpreendente da história, a parte mais complexa do texto, a questão central da notícia, entre outras possibilidades.

• Opine sobre o que leu, coloque seus pontos de vista aos alunos e convide-os sempre a fazer o mesmo – quer dizer, aja como qualquer leitor “de verdade”.

• Ajude os alunos a descobrir o significado do texto a partir do contexto, em vez de ficar explicando a toda hora as palavras que considera difíceis.

• Ofereça elementos contextuais que outorgam sentido à leitura e favorecem a antecipação do que o texto diz. Isso se dá quando, por exemplo:

– comunica aos alunos onde e como encontrou o texto;

– mostra a eles o portador do texto: se é um livro, mostra a capa na qual lê os dados (título, autor, editora); se é um jornal, faz referência à seção na qual o texto aparece, procurando-a diante deles; se é uma carta, diz como chegou às suas mãos e a quem está dirigida etc.;

– oferece informações complementares sobre o texto, o autor, o portador: se o que vai ler é um conto ou um poema, lê também partes do prólogo do livro ou conta dados biográficos do autor; se é uma notícia, faz referência a outras notícias parecidas; se é um texto de uma enciclopédia, pode investigar o que os alunos já sabem sobre o tema.

Enfim, para que o professor possa saber quais são as melhores formas de trazer a leitura para dentro de sua sala de aula como algo atraente e interessante, talvez o critério mais eficaz seja o seguinte: agir com seus alunos como gostaria que seus professores tivessem agido com eles próprios para ajudá-los a serem leitores interessados e dispostos a “enfrentar” qualquer tipo de texto.

[1] In: Referenciais para a Formação de Professores – MEC/1999. Texto adaptado a partir de idéias da pesquisadora argentina Délia Lerner.

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