A diversidade cultural como riqueza humana: os Ashaninka na estação das chuvas


As condições de vida, as histórias individuais e coletivas, a geografia, as oportunidades de trabalho, o acesso à educação, tudo marca a cultura e a construção de significados que os povos dão às suas vidas. Modos de falar, de se relacionar com o ambiente e com os outros, de se comportar, de organizar-se em sociedade, tudo isso forma a cultura.

Há culturas melhores que outras? Há povos ou pessoas mais cultas ou menos cultas? As ciências nos prova que não. Cada povo encontrou soluções diferentes para sua vida, e todas elas são igualmente válidas.

Se olharmos a partir de nosso próprio umbigo, a tendência é demarcar as fronteiras das culturas, atribuindo a cada um um lugar estático, arrumadinho e fixo na sociedade. Mas ninguém, nem pessoas nem povos, se comporta sempre da mesma forma. Ninguém fica parado no tempo. Todas as sociedades humanas mudam, se recriam e se transformam em função das condições.

Vemos um exemplo dessas transformações e construções culturais em função das condições materiais neste vídeo. Três línguas presentes, costumes tradicionais com tecnologias modernas, trabalho colaborativo e integração em redes, preservação e transformação…

Como bem diz a Profa. Dra. Tereza Maher, da UNICAMP:

“O multiculturalismo que caracteriza a nova ordem mundial, a crescente heterogeneidade das sociedades devido à intensificação das migrações e das interações interétnicas e interculturais não nos permitem mais fechar os olhos para o fato de que as culturas não são monolíticas e estáticas e que, por isso, não há como trabalharmos com noções de identidades culturais mumificadas. Vai daí que, em nossos esforços para compreender as manifestações e os efeitos de diferenças culturais em sala de aula é preciso ter claro, em primeiro lugar, que alunos e professores não são autômatos, não agem, necessariamente ou o tempo todo, de acordo com as convenções interacionais de sua cultura – as culturas propõe esquemas de significação, elas não são camisas de força. Além disso, a cultura não é só pensada, mas também vivida, as significações são continuamente avaliadas e transformadas pela ação humana.”

(MAHER, Terezinha Machado. Do casulo ao movimento: a suspensão das certezas na educação bilíngue e intercultural. In: CAVALCANTI, M.C. e BORTONI-RICARDO, S.M. Transculturalidade, linguagem e educação. Campinas, Mercado das Letras, 2007)

Sobre o filme: Alunos de um workshop no Rio Amônia River no estado brasileiro do Acre fazem uma crônica em vídeo de sua comunidade. Na estação das chuvas os Ashaninka não podem plantar, e o rio inundado restringe o acesso a certas regiões. Caça e pesca são mais difíceis de conseguir, mas ainda há bastante trabalho. Vê-se pessoas fazendo canoas, tecendo cestos e fiando algodão para tecidos. A palmeira Munumuru é coletada para alimento e para fazer sabão, que pode ser vendido. Os Ashaninka permitem que suas atividades sejam ditadas pela mudança das estações, aceitando a chuva com bom humor.

O filme é de Isaac Pinhanta, Valdete Pinhanta, Tsirotsi Ashaninka, Llullu Manchineri, Maru Kaxinawá, Nelson Kulina, Fernando Katuquina and André Kanamari, e foi distribuído por Documentary Educational Resources. (Tradução das informações do vídeo “The rainy season” no Youtube.

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