Crianças – deixemos que elas cresçam!


  Por Andressa Lutiano, diretora da Wish Bilingual School

Recentemente, ao conversar com uma mulher beirando os 30 anos, não pude deixar de me surpreender com alguns de seus comentários: “Estive pensando e acho que agora é hora de me dedicar aos estudos, mais pra frente eu penso em trabalhar” ou “Eu estou com uma oportunidade de trabalho, mas não tenho certeza se corresponderei às expectativas” ou ainda “Perguntei para meu pai e ele achou melhor eu não ir”…

Nada contra se dedicar aos estudos ou pedir conselhos aos pais (eu mesma recorro aos meus o tempo todo), mas tenho impressão que o “timing” neste caso não está muito bom. Nos dedicamos somente aos estudos com até uns 20 anos e aos 30 a opinião de nossos pais pode até nos ajudar mas já não deve mais ser decisiva.

O que percebo aqui é algo cada vez mais comum, uma tendência – na tentativa de ajudar seus filhos ou de poupá-los de sofrimentos os pais acabam fazendo com que essas crianças se tornem adultos inseguros, homens e mulheres de 30 anos que se comportam com se tivessem 15.

Quando digo aqui os pais, não me excluo desse “time”; todos que tem filhos hão de concordar comigo, quando vemos aquelas crianças frágeis, vulneráveis e totalmente dependentes da gente nossa vontade é, como já dizia meu amigo, enrolá-los no plástico- bolha, protegê-los de todo mal, de qualquer frustração; nos mata vê-los chorar, viramos leões quando eles são excluídos ou desprezados, nos assusta vê-los correr riscos.

Sim, tudo isso é verdade. Mas temos que refletir – o que é a vida senão uma série de riscos e o que são os bons momentos, as conquistas senão riscos que “deram certo”. O que acontece com esse excesso de zelo é que, ao desistirem de tentar com medo de errar, nossas crianças também estão sendo poupadas da chance de acertar.

E isso tudo começa desde cedo nas pequenas coisas: como nossos pequenos vão perceber o quanto é divertido subir, descer e se pendurar nos brinquedões se jamais soltarmos suas mãozinhas com medo que caiam? Como irão aprender a tomar banho sozinhos se jamais os deixarmos ficar “sujinhos”? Como terão responsabilidade nas suas escolhas se sempre as fizermos por eles? Como sentirão orgulho por suas conquistas se não tiverem a oportunidade de falhar? Como aprenderão a levantar se não os deixarmos cair?

Como já dizia aquela conhecida propaganda “Não há aprendizado sem manchas”… E a idéia é mais ou menos essa mesmo, há sempre os dois lados da moeda e não podemos poupá-los de sofrer (infelizmente para nós pais!!!) ou impedindo que eles realizem, que vençam. E quem cresce amparado por tantos cuidados pode não se decepcionar mas também não vive.

Eu posso ser um pouco exagerada nesse ponto, talvez seja mesmo, como diz meu pai, um pouco “afoita” (saí de casa para morar sozinhas aos 23 anos…) mas vou me esforçar para dar total suporte à minha filha no sentido de prepará-la para enfrentar as batalhas e não se esquivar delas, vou me esforçar para não protegê-la além do necessário, vou me esforçar para, ao invés de não deixá-la cair, estar sempre lá para, vamos dizer, “amortecer” a queda e motivá-la a levantar.

Um comentário

  1. Animal, Andressa!

    Parabéns pela mensagem e pela maneira fluida com que a escreveu!

    Muito boa essa consideração .

    Curtir

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