Escolher ou não uma educação bilíngue? Conversando com os pais


Como escolher?

Acontece um fenômeno curioso nas escolas bilíngues: muitos pais de crianças pequenininhas já chegam com muitas informações sobre educação bilíngue, diferentemente do que acontecia há alguns anos. A maioria não pensa mais que aprender uma segunda língua quando ainda não se domina perfeitamente a primeira é prejudicial para a criança. Ainda bem! Muitos já chegam sabendo dos benefícios que a educação bilíngue pode proporcionar. Imagino que seja porque as mídias têm publicado textos sobre esse tema com frequência.

Muitos dos pais que procuram uma escola bilíngue não falam fluentemente uma segunda língua. Vários contam que tentaram aprendê-la sem sucesso, ou que aprenderam um pouco, mas não conseguem se comunicar com fluência. Alguns dizem que precisam desta língua em seu trabalho, e esta motivação os leva a procurar dar a seus filhos algo que precisam, mas que para eles foi difícil adquirir. Uma atitude louvável, e bem paternal.

Mas apesar do entusiasmo nos primeiros anos da escola bilíngue, ao ver a criança cantando e falando suas primeiras palavras em outra língua, vão ficando ansiosos quando as crianças vão crescendo. Aos quatro anos alguns já estão aflitos com a alfabetização. Aos cinco começam a querer uma dessas escolas que aparecem nos rankings do ENEM, e até mudam a criança de escola, pensando em prepará-la para o vestibular e abrindo mão da segunda língua.

Gostaria de pensar, com os pais que me lêem, o que acontece quando isso acontece?

O que leva uma família a matricular seu filho numa escola bilíngue na educação infantil e passar para uma escola no ensino fundamental?

Se aprender uma segunda língua foi uma decisão consciente, considerada importante no início, por que mudar de ideia depois?

Não acho que todos devem optar pela educação bilíngue, é claro. A decisão pelo tipo de educação que se dá a uma criança é muito complexa e deve levar em conta muitos fatores. Mas acho que deveria ser coerente. Porque estamos falando de formação, ou seja, um processo gradual, longo e contínuo. Não um produto que se compra e usa, como uma roupa que se veste e tem prazo de duração.

Sendo a educação, portanto, um processo de formação, vale a pena interrompê-lo no meio do caminho? O que se ganha e o que se perde com essa escolha?

Convido os pais a refletirem quais os motivos que os levam a escolher uma escola bilíngue para seu filho antes de tomarem sua decisão. Enriquecimento cultural? Fluência em uma segunda língua? Formação mais ampla? Status? Empregabilidade? Modismo? Dependendo do motivo da escolha, deve-se pensar se estamos realmente confiantes na decisão e comprometidos com ela. Para que sejamos coerentes com nossos propósitos e com as necessidades de nossos filhos…

Selma Moura

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10 Comentários em “Escolher ou não uma educação bilíngue? Conversando com os pais”

  1. Selma Moura Diz:

    Olá Karina.
    Sua indecisão é compreensível, pois a herança linguística da família é bem diversa e rica. Como seu filho ainda é pequenininho e é difícil decidir agora o caminho que ele quererá seguir quando crescer, eu daria dois conselhos:
    1) Fortalecer a identidade cultural dele, mantendo o português em casa e sempre valorizando essa língua;
    2) Matriculá-lo em uma escola internacional que fortaleça a herança cultural da família (que pode ser expressa em francês ou alemão). Dessa forma ele adquirirá duas línguas importantes, terá os benefícios cognitivos, sociais e culturais proporcionados pelo bilinguismo e terá mais facilidade para aprender outras línguas, inclusive o inglês, que sendo uma língua global, estará presente nas músicas, filmes, etc. Não se preocupe com a alfabetização: até que ele tenha 6 anos as duas línguas já estarão suficientemente desenvolvidas para que ele aprenda a ler em uma e faça a transferência desse conhecimento para outra, com os ajustes necessários. Preocupe-se nesse momento em escolher uma boa escola, alinhada com os valores da família, onde ele possa brincar muito,ser feliz e desenvolver-se plenamente em sua infância. Esse é o momento de construir “o alicerce da casa”, a fase mais importante na vida dele, e o alinhamento entre a escola e a família é essencial.
    Boa sorte!

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  2. Selma Moura Diz:

    Oi Karina. Você não precisa se preocupar com a possibilidade de confusão de línguas, mas precisa fazer uma escolha sustentável por muitos anos, porque educação de modo geral é um processo longo. Pense na possibilidade de escolher uma escola (bilingue ou internacional, com francês ou inglês) que ajude a preservar e expandir o português de seu filho além de desenvolver a segunda língua. Procure manter uma consistência com a visão da família, buscando uma escola com metodologia próxima de seus valores, sejam mais libertários ou tradicionais. E uma vez matriculado, procure mantêm-lo nessa escola pelo menos até o final do Ensino Fundamental, para que ele tenha tempo de passar por fases essenciais em seu desenvolvimento com um todo, inclusive acadêmico e linguístico. Boa sorte!

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  3. Karina Diz:

    Excelente! Eu me sinto muito confusa em colocar meu filho num colégio bilingue ou internacional. Todos os primos dele são estrangeiros, italianos, americanos e alemães, mas falam português, só um fala apenas inglês. E meu filho é brasileiro e suíço. Eu fiz pós graduação em relações internacionais, fiz intercâmbio com 14 anos. Desde que nasceu ele tem acesso diário a música e livro em português, inglês e Francês. Ele identifica algumas coisas em inglês e francês, se eu perguntar. Mas fala português. Ele fez 2 anos. Acho que pela família ser toda estrangeira, penso que uma escola internacional seria mais indicada para a cultura que ele já tem. Mas eu e meu marido não somos fluentes em línguas estrangeiras. Eu voltei a estudar Francês e estou comprometida a ter imersão diária na segunda língua que aprendi na minha infância no colegio. Gostaria de coloca lo numa escola francesa devido sua nacionalidade ser tb Suíça, para que ele possa ter a opção de estudar lá na faculdade se quiser. Ressalto que ele é suíço da parte alemã, mas a avó tinha receio de falar alemão aqui , então não perpetuou a herança linguística. Na verdade hoje, meu filho tem contato com os primos e tio americanos, e primos e tia italianos, e eu como mãe, que estudo francês, mas sou brasileira. Tenho dúvida se seria melhor coloca lo num colégio bilingue inglês, pois ele já tem contato com essa cultura. Ou internacional francês, mas tendo contato com a cultura nativa apenas pelo colégio, mas isso lhe abriria portas na parte Suíça. Estou muito confusa e com medo que isso o atrapalhe na alfabetização, pois em ambos os colégios que quero colocar, ela se dará na língua estrangeira.

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  4. Karina Diz:

    Excelente! Eu me sinto muito confusa em colocar meu filho num colégio bilingue ou internacional. Todos os primos dele são estrangeiros, italianos, americanos e alemães, mas falam português, só um fala apenas inglês. E meu filho é brasileiro e suíço. Eu fiz pós graduação em relações internacionais, fiz intercâmbio com 14 anos. Desde que nasceu ele tem acesso diário a música e livro em português, inglês e Francês. Ele identifica algumas coisas em inglês e francês, se eu perguntar. Mas fala português. Ele fez 2 anos. Acho que pela família ser toda estrangeira, penso que uma escola internacional seria mais indicada para a cultura que ele já tem. Mas eu e meu marido não somos fluentes em línguas estrangeiras. Eu voltei a estudar Francês e estou comprometida a ter imersão diária na segunda língua que aprendi na minha infância no colegio. Gostaria de coloca lo numa escola francesa devido sua nacionalidade ser tb Suíça, para que ele possa ter a opção de estudar lá na faculdade se quiser. Ressalto que ele é suíço da parte alemã, mas a avó tinha receio de falar alemão aqui , então não perpetuou a herança linguística. Na verdade hoje, meu filho tem contato com os primos e tio americanos, e primos e tia italianos, e eu como mãe, que estudo francês, mas sou brasileira. Tenho dúvida se seria melhor coloca lo num colégio bilingue inglês, pois ele já tem contato com essa cultura. Ou internacional francês, mas tendo contato com a cultura nativa apenas pelo colégio. Estou muito confusa e com medo que isso o atrapalhe na alfabetização, pois em ambos os colégios que quero colocar, ela se dará na língua estrangeira.

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  5. Carolina Diz:

    Eu também penso em colocar minha filha em uma escola infantil bilíngue e depois muda-la para uma escola tradicional e isso se dá há uma série de valores que pretendemos ensinar a nossa filha, além da fluência no segundo idioma. Considero que ela, já nos primeiros anos de vida, estará familiarizada com o segundo idioma e terá mais facilidade para continuar aprendendo ao decorrer dos anos. Acho o bilinguismo fantástico, mas me preocupo em mantê-la em convivência apenas de uma parcela elitizada da população. Além de considerar importante o reforço do ensino religioso além do praticado em casa.

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  6. Selma Moura Diz:

    É verdade, Ligia, infelizmente.
    Por isso os pais devem se informe bem antes da escolha.
    Abraço,
    Selma

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  7. Ligia Berenguer Diz:

    Acredito que muitas escolas utilizam o título sem ser bilingues. Dá status. Essas escolas fazem parcerias com escolas de idiomas e colocam aulas de inglês à tarde se passando por escolas bilingues.

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  8. Tais Diz:

    Viviane,

    Você conhecer a escola Cycle em SantoAndre?

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  9. Viviane Monteiro Diz:

    Olá Selma e Coleg@s da lista!

    Acredito que há alguns fatores que influenciam na “mudança” que os pais fazem de escola. Da minha pequena experiência como coordenadora de uma escola bilíngue e prima de três crianças em escolas assim aconteceram as seguintes situações:

    – Falta de planejamento financeiro: essas escolas no geral são caras e conforme as crianças crescem a mensalidade segue esse aumento. E quando vão para o fundamental geralmente há um consedirável aumento.

    – Ranking de vestibulares: esse é uma realidade em nosso país, o “preparo” para o vestibular, por isso tantos cursos em escolas com apostilas formatadas e agora até na educação infantil! Antes só restrito a cursos pré vestubulares. E há também escolas bilíngues que realmente deixam a desejar em disciplinas fundamentais para o currículo brasileiro.

    – Insuficiência do ensino da segunda língua: essa é uma questão séria e gravíssima e motivo de retirada de muitos educandos das escolas. Nos primeiros anos do fundamental já é possível fazer uma avaliação séria da escola a respeito da qualidade da língua ensinada e infelizmente isso esbarra numa questão pedagógica. Uma pessoa falante da língua a ensinar não necessariamente é apto a ensiná-la, Conheço escolas bilíngues que os professores não tem nenhuma formação pedagógica, tem vasta experiência na língua qye ensinam, entretanto nunca tiveram experiência ou uma aprendizagem minimamente pedagógica. É uma questão de postura da escola a eleição de seu quadro docente. A meu ver não é suficiente experiência no exterior para ensinar uma segunda língua.

    Entretanto essas são considerações restritas a minha família e meu locus de trabalho, com certeza há outras possibilidades.

    Um abraço e BOM JOGO!!!

    Viviane

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