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	<title>Educação Bilíngue no Brasil</title>
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	<description>O Estado-da-Arte sobre Educação Bilíngue em nosso país.</description>
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		<title>Educação Bilíngue no Brasil</title>
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		<title>O processo de alfabetização e como as crianças pensam sobre a escrita</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2012 20:56:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Selma Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[formação de professores]]></category>
		<category><![CDATA[alfabetização bilíngue]]></category>

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		<description><![CDATA[Como as crianças constroem suas primeiras ideias sobre nosso sistema de escrita? Quais são os desafios que devem superar para apropriar-se desta forma de representar o mundo? Estes vídeos dão uma visão muito interessante do modo como as crianças pensam sobre a escrita. A tarefa desta semana (para o curso de Alfabetização e Letramento de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1623&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como as crianças constroem suas primeiras ideias sobre nosso sistema de escrita? Quais são os desafios que devem superar para apropriar-se desta forma de representar o mundo?</p>
<p>Estes vídeos dão uma visão muito interessante do modo como as crianças pensam sobre a escrita. A tarefa desta semana (para o <a title="Curso Sinpro" href="http://educacaobilingue.com/2012/01/18/curso-sinpro/" target="_blank">curso de Alfabetização e Letramento de crianças bilíngues</a>) é ver os vídeos, aprender mais sobre as hipóteses que as crianças constroem sobre o sistema de escrita e fazer uma sondagem com seus alunos &#8211; em qualquer língua. Será que vocês vão encontrar o mesmo processo com crianças bilíngues? Hum&#8230;</p>
<p>Boas reflexões!</p>
<p>Selma</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://educacaobilingue.com/2012/02/17/hipotesescriancas/"><img src="http://img.youtube.com/vi/NCo5ybibn5Q/2.jpg" alt="" /></a></span>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://educacaobilingue.com/2012/02/17/hipotesescriancas/"><img src="http://img.youtube.com/vi/icFlW3OjesE/2.jpg" alt="" /></a></span>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://educacaobilingue.com/2012/02/17/hipotesescriancas/"><img src="http://img.youtube.com/vi/3iNn-XsuH-4/2.jpg" alt="" /></a></span>
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<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://educacaobilingue.com/2012/02/17/hipotesescriancas/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Od6yqMsOYpM/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />Filed under: <a href='http://educacaobilingue.com/category/educacao-bilingue/professores-bilingues/formacao-de-professores/'>formação de professores</a> Tagged: <a href='http://educacaobilingue.com/tag/alfabetizacao-bilingue/'>alfabetização bilíngue</a>, <a href='http://educacaobilingue.com/tag/formacao-de-professores/'>formação de professores</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/educacaobilingue.wordpress.com/1623/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/educacaobilingue.wordpress.com/1623/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/educacaobilingue.wordpress.com/1623/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/educacaobilingue.wordpress.com/1623/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/educacaobilingue.wordpress.com/1623/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/educacaobilingue.wordpress.com/1623/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/educacaobilingue.wordpress.com/1623/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/educacaobilingue.wordpress.com/1623/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/educacaobilingue.wordpress.com/1623/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/educacaobilingue.wordpress.com/1623/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/educacaobilingue.wordpress.com/1623/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/educacaobilingue.wordpress.com/1623/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/educacaobilingue.wordpress.com/1623/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/educacaobilingue.wordpress.com/1623/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1623&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Formando Leitores por amor aos livros</title>
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		<comments>http://educacaobilingue.com/2012/02/10/formando-leitores-por-amor-aos-livros/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 13:49:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Selma Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[formação de professores]]></category>
		<category><![CDATA[alfabetização bilíngue]]></category>

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		<description><![CDATA[Imagine crianças tendo acesso a livros trazidos no lombo de dois burros, a fêmea chamada Alfa e o macho chamado Beto. Haja criatividade e comprometimento com a formação dos pequenos leitores, não é? Pois vi este vídeo compartilhado por uma amiga no Facebook e achei que tinha tudo a ver com nossa discussão sobre alfabetização [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1617&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Imagine crianças tendo acesso a livros trazidos no lombo de dois burros, a fêmea chamada Alfa e o macho chamado Beto. Haja criatividade e comprometimento com a formação dos pequenos leitores, não é? Pois vi este vídeo compartilhado por uma amiga no Facebook e achei que tinha tudo a ver com nossa discussão sobre alfabetização e letramento. Me fez lembrar também de um texto que escrevi há alguns anos, refletindo sobre a afetividade e a leitura. Segue abaixo.</p>
<p>&#8220;Nos traz livros, nos traz contos, nos traz materiais. Porque as crianças não têm. E seus pais tampouco têm como comprá-los.&#8221; (Depoimento da professora)</p>
<p>Veja o vídeo:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://educacaobilingue.com/2012/02/10/formando-leitores-por-amor-aos-livros/"><img src="http://img.youtube.com/vi/tsHyN9zj8_o/2.jpg" alt="" /></a></span>
<h2></h2>
<h2>Formando Leitores por amor aos livros</h2>
<div>Selma Moura</div>
<div></div>
<blockquote>
<div>“É uma tristeza imensa, uma solidão dentro da solidão, ser excluído dos livros – inclusive daqueles que não nos interessam.” (Daniel Pennac)</div>
</blockquote>
<div>
<p>Uma professora tem a oportunidade de conviver com o que há de mais belo no mundo: o potencial humano. Esta não é uma convivência qualquer, mas a oportunidade de fazer diferença, de mudar para melhor, de contribuir com uma formação que nunca tem fim. E ao longo deste caminho, uma professora vai encontrando muitas pessoas que marcam sua vida.</p>
<p>Todos os alunos também influenciam a professora, mudam seu modo de pensar e a ensinam, em uma troca mútua que Paulo Freire definiu tão bem: “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens se educam em comunhão”. E nesse mútuo educar, deparamos com algumas pessoas que marcam profundamente nossa vida, que nos fazem ver o mundo por uma nova perspectiva, e vamos carregando conosco essas histórias, que passam a fazer parte de nossa própria.</p>
<p>Uma dessas pessoas cuja história me modificou foi o ‘seu’ Sebastião.</p>
<p>Conheci-o há mais de uma década, em um projeto de alfabetização de adultos de que participei, como estagiária, na época em que eu cursava pedagogia. Pedreiro de profissão, seu Sebastião procurava esconder as mãos calejadas e fortes das quais se envergonhava quando apertava com força demais o lápis, tão frágil e pequeno em suas mãos, nas tentativas de escrita. A folha se rasgava, a letra era tremida, de traço grosso, e seu Sebastião se constrangia dizendo que não tinha jeito pra coisa. Mas tentava, a cada aula nesse grupo, apoiado pelos outros trabalhadores que solidariamente o apoiavam e mostravam, eles também, suas dificuldades e percalços.</p>
<p>Seu Sebastião nos contou como se sentia em uma sociedade onde a escrita está por toda parte, ele que ainda não sabia ler. Disse que era como ser cego, ver e não entender aquelas letrinhas que se juntavam para dizer alguma coisa. Que tinha vergonha de perguntar o nome de um ônibus, que se atrapalhava para fazer compras no mercado. Os colegas de sala, ouvintes atentos, concordaram, e eu fiquei tentando em vão imaginar como alguém pode estar dentro, e ao mesmo tempo fora, das práticas de escrita e de leitura de que participamos todos os dias sem nem mesmo nos dar conta.</p>
<p>Se recuarmos um pouco na história, veremos que há três gerações era muito comum no Brasil não saber ler. A escola não era ainda a realidade da maioria das pessoas, nem mesmo nas cidades maiores. Minha avó até hoje não sabe ler, mas sabe muitas receitas deliciosas que guarda na memória. Meu pai assinava seu nome com orgulho, mas não conseguia ler nem um recibo, nem um contrato de aluguel. Minha mãe foi quem mais estudou na geração passada: conseguiu concluir o primário, o que equivale à quarta-série. É claro que havia quem chegasse à faculdade, mas não nas periferias de São Paulo, nem nas famílias mais desprovidas do interior do Brasil.</p>
<p>Para quem convive com a base da pirâmide social, aqueles que dia a dia ganham o pão com o suor de seu rosto, que se apertam no transporte público, que percorrem longas distâncias entre suas casas e locais de trabalho, que criam seus filhos nas escolas públicas com dificuldade e orgulho de dar-lhes a oportunidade de estudar, oportunidade que não puderam ter, é claro o valor que se dá aos estudos, aos livros. É preciso estudar para ser alguém na vida, é preciso estudar para escapar da pobreza, do desemprego ou do subemprego, da luta diária pela subsistência. A escola ainda é vista como o único meio de ascensão social possível, embora pouco a pouco sua aura esteja se quebrando, em função das ondas de alunos que fracassaram em atender ao modelo que a escola espera receber.</p>
<p>Os inúmeros problemas da escola são alardeados pela mídia, e são bem conhecidos: classes lotadas, professores mal-remunerados obrigados a lecionar em muitas turmas para ganhar sua subsistência, além de outros problemas que não são exclusivos da escola, mas que nela se refletem, como a violência, as drogas, etc. Mas se pudéssemos escolher uma área onde emergencialmente devêssemos concentrar nossos esforços, essa seria a formação de leitores.</p>
<p>As crianças que entram na escola trazem seu espírito curioso, irrequieto, sedento de aprender, de se mover, de experimentar, de conhecer o mundo. Imaginem que conseguíssemos preservar esse espírito e direcionar essa curiosidade para o mundo dos livros! Que a cada dia as crianças fossem apresentadas a personagens que também enfrentam enormes desafios: têm que matar um dragão, têm que ser mais espertos que o lobo mau, têm que cumprir doze trabalhos antes de alcançar um objetivo&#8230; Personagens cuja força não está no dinheiro, mas no valor interno, no caráter. Que sentem medo, que se ferem, que persistem e que são fiéis a seus princípios.</p>
<p>Imaginem ainda que esse momento não fosse uma obrigação, mas uma diversão. Que as crianças não precisassem fazer provas ou tarefas para mostrarem que entenderam o enredo da história, e que os verbos e advérbios desses textos não tivessem a menor relevância diante do desafio de descobrir como quebrar o encanto que prende o príncipe a uma forma ignóbil&#8230;</p>
<p>Se as crianças pudessem, então, ter um cantinho na classe, onde ficassem confortavelmente instaladas, o corpo molemente acomodado sobre uma almofada, ou até o colo do amigo, enquanto uma voz que muda conforme a narrativa se torne mais lírica ou mais assustadora conduz sua imaginação a lugares desconhecidos&#8230; E se elas pudessem ainda levar de vez em quando esse objeto mágico, o livro, para lerem eles mesmos de novo, em casa, ou lerem para os irmãos, ou até para a mãe, ainda que ela soubesse ler&#8230; Que delícia seria! Que maravilhoso jeito de formar leitores, sem o peso da obrigação, mas pela sedução da palavra escrita, que carrega consigo um pouco de magia&#8230;</p>
<p>Tive esse privilégio na minha infância. Cresci cercada de livros, que eram ainda mais preciosos por terem sido caros, difíceis de conseguir, comprados por minha mãe em prestações. Devorava-os tanto quanto podia, mas sempre fora da escola. Na escola onde fiz o ensino fundamental não havia sala de leitura ou biblioteca, a menos que houvesse uma que fosse proibida para as crianças, porque nela nunca entrei. Só comecei a ler livros na escola bem mais tarde. Eles eram escolhidos pela professora, de leitura obrigatória que seria avaliada em uma prova. Nunca conversávamos sobre a leitura, a professora não nos lia em voz alta, e não havia na classe nem livros, nem gibis, nem jornais, nenhum tipo de material de leitura além dos livros didáticos.</p>
<p>Mas em casa minha mãe contava histórias de sua infância, lia-nos contos de fadas com uma voz que mudava conforme a história&#8230; E como ela trabalhava tanto, nossos momentos de aproximação e de carinho eram muitas vezes mediados pela leitura. Os contos ficavam em mim, eu sonhava com eles, eu era cada personagem em uma história revivida muitas vezes.</p>
<p>Aprendi essa lição importante, a mais importante na formação de um leitor: que é pelo amor que seduziremos as crianças à leitura, que é pela aproximação suave, cuidadosa e carinhosa que partiremos da curiosidade natural que as crianças nos trazem e caminharemos à sua formação como leitores e como escritores. No caminho, é claro, as crianças vão se deparar com o enriquecimento do vocabulário, a estruturação das frases, as figuras de linguagem, a concordância verbal, os estilos literários&#8230; Mas a atenção não deve estar nesses apêndices, eles são apenas ferramentas, enquanto a obra é a história.</p>
<blockquote><p>“O dever de educar consiste, no fundo, no ensinar as crianças a ler, iniciando-as na Literatura, fornecendo-lhes meios de julgar livremente se elas sentem ou não a “necessidade de livros”. Porque, se podemos admitir que um indivíduo rejeite a leitura, é intolerável que ele seja rejeitado por ela”. (Daniel Pennac)</p></blockquote>
<p>Nem todos os professores aprenderam, quando crianças, a amar os livros. A escola naquele tempo não ensinava isso, muito pelo contrário. Mas é tempo de aprender agora, de aproximarem-se dos livros de que gostam, de começarem a ler por prazer, e não apenas por exercício do dever. Porque os professores que são bons leitores têm um brilho diferente no olhar quando lêem ou contam uma história.</p>
<blockquote><p>“Como um professor que não se torna leitor e não tem uma sensibilidade estética com relação à produção artística pode ser capaz de fazer com que a criança produza a sua palavra, tenha acesso a uma escrita rica, tenha gosto pela leitura e vontade de escrever?” (Sonia Kramer)</p></blockquote>
<p>Podemos fazer muitas coisas para formar professores leitores. Podemos começar a ler pelos assuntos de que mais gostamos, ampliando pouco a pouco nossas leituras para outros assuntos. Podemos formar grupos de discussão sobre um livro, ou sobre um autor, em que cada um conte o que gostou, o que não entendeu, o que faria diferente na história. Podemos, a partir dessa experiência, produzir resenhas sobre as histórias, até publicando-as no jornal da escola, ou em um blog&#8230; Podemos fazer um sarau de leitura, em que cada participante leia trechos favoritos de um ou mais autores&#8230; Basta colocar a leitura em nosso dia a dia, de modo prazeroso e constante, e ela achará seu próprio espaço.</p>
<p>Nós professores somos modelos para nossos alunos. Imagine que contássemos para eles sobre os livros de que gostamos, o que nos fascina neles, o que é mais difícil entender, em que concordamos ou discordamos do autor&#8230; Não seria maravilhoso ouvir alguém que você admira contando suas experiências com a leitura? Não daria vontade de ler também, de contar também, de participar desse mundo?</p>
<p>E voltando às histórias dos nossos alunos, que marcam nossas vidas e nos mudam para sempre&#8230; Tenho algumas, de crianças que começaram a escrever poesias, de crianças que foram exemplos para seus pais, de pessoas que passaram a acreditar mais em si mesmas, mudando seu modo de ver o mundo e assim servindo de exemplo para os que a rodeiam. As professoras geralmente têm essas histórias.</p>
<p>Vamos colecionar então histórias de leituras e leitores bem sucedidos, que pelo nosso trabalho aprenderam a ler a palavra e a ler o mundo? De pessoas cuja visão se ampliou, que passaram a ver cada vez mais e melhor, porque tiveram acesso ao patrimônio cultural preservado pela humanidade na escrita? De pessoas que, como conseqüência de sua formação cultural e escolar, também puderam conseguir condições melhores de vida e colaborar com sua família e sua comunidade? Nunca precisamos tanto escrever histórias assim..</p>
</div>
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	</item>
		<item>
		<title>Sobre preconceitos e a escolha de ser politicamente correto</title>
		<link>http://educacaobilingue.com/2012/02/10/preconceitos/</link>
		<comments>http://educacaobilingue.com/2012/02/10/preconceitos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 12:50:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Selma Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Multiculturalismo]]></category>
		<category><![CDATA[cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito linguístico]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebi este texto e achei muito pertinente à discussão sobre diversidade &#8211; étnica, cultural, social e linguística &#8211; que é um dos temas abordados aqui no blog. Afinal, ao falar de educação bilíngue, estamos tratando de muitas formas de ser, estar e dizer o mundo.  Há uma tendência a achar as palavras in-ofensivas, mesmo quando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1609&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#333399;">Recebi este texto e achei muito pertinente à discussão sobre diversidade &#8211; étnica, cultural, social e linguística &#8211; que é um dos temas abordados aqui no blog. Afinal, ao falar de educação bilíngue, estamos tratando de muitas formas de ser, estar e dizer o mundo. </span></p>
<p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-1611" title="gigante_pisando_small112" src="http://educacaobilingue.files.wordpress.com/2012/02/gigante_pisando_small112.jpg?w=120&#038;h=150" alt="" width="120" height="150" /></p>
<p><span style="color:#333399;">Há uma tendência a achar as palavras <em>in</em>-ofensivas, mesmo quando são ofensas claras ou dissimuladas. Há um pessoal que luta contra o politicamente correto dizendo que é chato, que não é original. Mas se ser legal e ter personalidade é diminuir outros para se sentir melhor, acho preferível ser politicamente correto.</span></p>
<p><span style="color:#333399;">Segue o texto. Seus comentários são bem-vindos!</span></p>
<blockquote><p><strong>O insustentável preconceito do ser!</strong></p>
<p>&#8220;Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.</p>
<p>Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:<br />
- Recomendo um passeio pelo nosso &#8220;Central Park&#8221;, disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!<br />
-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.<br />
-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.<br />
-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?<br />
-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem &#8220;farofa&#8221; no parque.<br />
-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.<br />
-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar&#8230;.</p>
<p>De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.</p>
<p>Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os &#8220;Paraíba&#8221;, que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a &#8220;Cabeça chata&#8221;, outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.</p>
<p>Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.</p>
<p>Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:<br />
-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:<br />
&#8220;O teu cabelo não nega, mulata<br />
Porque és mulata na cor<br />
Mas como a cor não pega, mulata<br />
Mulata, quero o teu amor&#8221;.<br />
&#8220;É ofensivo&#8221;, diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.</p>
<p>A expressão &#8220;pé na cozinha&#8221;, para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.<br />
O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:</p>
<p>&#8220;Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra &#8216;niger&#8217; para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:<br />
&#8216;Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe&#8217;&#8230;que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).</p>
<p>Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan &#8216;black is beautiful&#8217;. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém&#8221;.<br />
Será que na era Obama vão inventar &#8220;Pé na Presidência&#8221;, para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?</p>
<p>A origem social é outro fator que gera comentários tidos como &#8220;inofensivos&#8221; , mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:</p>
<p>- A minha &#8220;criadagem&#8221; não entra pelo elevador social !<br />
E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, &#8220;viado&#8221;, maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?</p>
<p>Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:<br />
- Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!<br />
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:<br />
-Só podia ser loira!<br />
Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:<br />
- Só podia ser judeu!</p>
<p>A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia &#8230;<br />
Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: &#8220;O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem&#8221;. Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.</p>
<p>A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável. O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.</p>
<p>Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:<br />
-Só podia ser mendigo!<br />
No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:<br />
-Só podia ser bandido!</p>
<p>Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.</p>
<p>PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos.&#8221;</p>
<p>Rosana Jatobá &#8211; jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da Universidade de São Paulo</p></blockquote>
<br />Filed under: <a href='http://educacaobilingue.com/category/cidadania-2/'>Cidadania</a>, <a href='http://educacaobilingue.com/category/multiculturalismo/'>Multiculturalismo</a> Tagged: <a href='http://educacaobilingue.com/tag/cidadania/'>cidadania</a>, <a href='http://educacaobilingue.com/tag/multiculturalismo/'>Multiculturalismo</a>, <a href='http://educacaobilingue.com/tag/preconceito-linguistico/'>preconceito linguístico</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/educacaobilingue.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/educacaobilingue.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/educacaobilingue.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/educacaobilingue.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/educacaobilingue.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/educacaobilingue.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/educacaobilingue.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/educacaobilingue.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/educacaobilingue.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/educacaobilingue.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/educacaobilingue.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/educacaobilingue.wordpress.com/1609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/educacaobilingue.wordpress.com/1609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/educacaobilingue.wordpress.com/1609/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1609&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Como a escrita foi criada e transformada pela humanidade?</title>
		<link>http://educacaobilingue.com/2012/02/09/a-historia-da-escrita/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 01:14:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Selma Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[formação de professores]]></category>
		<category><![CDATA[alfabetização bilíngue]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem foi a segunda aula do curso que estou dando no Sinpro, e falamos sobre conceitos como alfabetização, leitura e escrita. E como há pessoas de vários contextos e com diversas línguas, é interessante pensar em como os sistemas de escrita funcionam, como surgiram e se transformaram ao longo do tempo, em lugares e para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1602&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://educacaobilingue.files.wordpress.com/2012/02/quadrinhos_136_20070525-prehistory2.png"><img class="size-full wp-image-1614 aligncenter" title="quadrinhos_136_20070525-prehistory2" src="http://educacaobilingue.files.wordpress.com/2012/02/quadrinhos_136_20070525-prehistory2.png?w=540" alt=""   /></a></p>
<p>Ontem foi a segunda aula do <a title="Curso no Sinpro-SP" href="http://educacaobilingue.com/2012/01/18/curso-sinpro/" target="_blank">curso que estou dando no Sinpro</a>, e falamos sobre conceitos como alfabetização, leitura e escrita. E como há pessoas de vários contextos e com diversas línguas, é interessante pensar em como os sistemas de escrita funcionam, como surgiram e se transformaram ao longo do tempo, em lugares e para culturas diversas. Por isso, assistimos um vídeo muito interessante sobre a construção da escrita. Ele está disponível no Youtube, em duas partes. Confira abaixo:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://educacaobilingue.com/2012/02/09/a-historia-da-escrita/"><img src="http://img.youtube.com/vi/oXoGEHyGQzY/2.jpg" alt="" /></a></span>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://educacaobilingue.com/2012/02/09/a-historia-da-escrita/"><img src="http://img.youtube.com/vi/BAzeoLfQerM/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1604" style="float:left;border-color:initial;border-style:initial;border-width:0;" title="HISTORIA_CONCISA_DA_ESCRITA_1234039804P" src="http://educacaobilingue.files.wordpress.com/2012/02/historia_concisa_da_escrita_1234039804p.jpg?w=97&#038;h=150" alt="" width="97" height="150" /></p>
<p>A discussão foi bastante interessante, e vai ficar cada vez mais à medida em que examinarmos como as crianças constroem sua visão sobre a escrita, especialmente em duas línguas. Para quem quiser saber mais sobre este assunto fascinante, há um livro maravilhoso: História concisa da escrita, de Charles Higounet, publicado pela editora Parábola.</p>
<p>E como prometido, compartilho a apresentação de slides que usamos. Boa leitura!</p>
<p><a href="http://educacaobilingue.files.wordpress.com/2012/02/1-conceptualizando-alfabetizac3a7c3a3o-e-letramento1.pdf">1 Conceptualizando Alfabetização e Letramento</a></p>
<p>Selma</p>
<br />Filed under: <a href='http://educacaobilingue.com/category/educacao-bilingue/professores-bilingues/formacao-de-professores/'>formação de professores</a> Tagged: <a href='http://educacaobilingue.com/tag/alfabetizacao-bilingue/'>alfabetização bilíngue</a>, <a href='http://educacaobilingue.com/tag/formacao-de-professores/'>formação de professores</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/educacaobilingue.wordpress.com/1602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/educacaobilingue.wordpress.com/1602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/educacaobilingue.wordpress.com/1602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/educacaobilingue.wordpress.com/1602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/educacaobilingue.wordpress.com/1602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/educacaobilingue.wordpress.com/1602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/educacaobilingue.wordpress.com/1602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/educacaobilingue.wordpress.com/1602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/educacaobilingue.wordpress.com/1602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/educacaobilingue.wordpress.com/1602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/educacaobilingue.wordpress.com/1602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/educacaobilingue.wordpress.com/1602/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/educacaobilingue.wordpress.com/1602/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/educacaobilingue.wordpress.com/1602/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1602&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Curso sobre Letramento e Alfabetização na Educação Bilíngue em São Paulo</title>
		<link>http://educacaobilingue.com/2012/01/18/curso-sinpro/</link>
		<comments>http://educacaobilingue.com/2012/01/18/curso-sinpro/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 12:21:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Selma Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[EB de prestígio]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Bilíngue]]></category>
		<category><![CDATA[formação de professores]]></category>
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		<description><![CDATA[Alfabetização e letramento na educação bilíngue: aportes teóricos e metodológicos Originalmente disponível em: http://www.sinprosp.org.br/escola.asp?mn=2&#38;mes=32&#38;curso=553 Público-alvo: Professores de educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental e demais interessados Objetivo: Construir uma base teórica que sustente as práticas de alfabetização e letramento propostas a crianças bilíngues com vistas à formação de um usuário competente das línguas na comunicação oral [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1593&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><strong>Alfabetização e letramento na educação bilíngue: aportes teóricos e metodológicos</strong></p>
<p align="justify">Originalmente disponível em: <a href="http://www.sinprosp.org.br/escola.asp?mn=2&amp;mes=32&amp;curso=553" target="_blank">http://www.sinprosp.org.br/escola.asp?mn=2&amp;mes=32&amp;curso=553</a></p>
<p align="justify"><strong>Público-alvo:</strong> Professores de educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental e demais interessados</p>
<p align="justify"><strong>Objetivo:</strong> Construir uma base teórica que sustente as práticas de alfabetização e letramento propostas a crianças bilíngues com vistas à formação de um usuário competente das línguas na comunicação oral e escrita</p>
<p align="justify"><strong>Conteúdo:</strong> Conceitos de alfabetização e letramento; conceitos de bilinguísmo e educação bilíngue e alguns exemplos; processo de alfabetização em uma perspectiva sócio-construtivista; formação de leitores e de escritores; ensino-aprendizagem de segunda língua: múltiplas perspectivas; análise de situações didáticas em contextos bilíngues; construção coletiva de princípios sobre alfabetização de crianças bilíngues; proposição de alternativas de trabalho na educação bilíngue que contemplem a formação cultural e o acesso à leitura e à escrita pela criança</p>
<p align="justify"><strong>Professora:</strong> Selma de Assis Moura<br />
Pedagoga e Mestre em Linguagem e Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, doutoranda em Linguística Aplicada pela Unicamp.</p>
<p align="justify"><strong>Período:</strong> 1, 8, 15, 29 de fevereiro; 7, 14, 21, 28 de março; 4, 11 de abril, das 19h às 22h</p>
<p align="justify"><strong>Carga horária:</strong> 30 horas</p>
<p align="justify"><strong>Número de vagas:</strong> 45</p>
<p align="justify"><strong>Preço:</strong> sindicalizados &#8211; R$ 210.00 | não-sindicalizados &#8211; R$ 420.00</p>
<br />Filed under: <a href='http://educacaobilingue.com/category/eb-de-prestigio/'>EB de prestígio</a>, <a href='http://educacaobilingue.com/category/educacao-bilingue/'>Educação Bilíngue</a>, <a href='http://educacaobilingue.com/category/educacao-bilingue/professores-bilingues/formacao-de-professores/'>formação de professores</a> Tagged: <a href='http://educacaobilingue.com/tag/bilinguismo/'>bilinguismo</a>, <a href='http://educacaobilingue.com/tag/educacao-bilingue-2/'>educação bilíngue</a>, <a href='http://educacaobilingue.com/tag/formacao-de-professores/'>formação de professores</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/educacaobilingue.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/educacaobilingue.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/educacaobilingue.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/educacaobilingue.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/educacaobilingue.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/educacaobilingue.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/educacaobilingue.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/educacaobilingue.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/educacaobilingue.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/educacaobilingue.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/educacaobilingue.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/educacaobilingue.wordpress.com/1593/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/educacaobilingue.wordpress.com/1593/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/educacaobilingue.wordpress.com/1593/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1593&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Bilinguismo de Escola: Português para Estrangeiros no Contexto da Escola Bilíngue (Português/Inglês), por Elisa Sobé Neves</title>
		<link>http://educacaobilingue.com/2012/01/18/ple-bilingueportugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesinglespor-elisa-sobe-neves/</link>
		<comments>http://educacaobilingue.com/2012/01/18/ple-bilingueportugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesinglespor-elisa-sobe-neves/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 12:06:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Selma Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bilinguismo]]></category>
		<category><![CDATA[EB de prestígio]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Bilíngue]]></category>
		<category><![CDATA[bilinguismo]]></category>
		<category><![CDATA[educação bilíngue]]></category>

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		<description><![CDATA[Bilinguismo de Escola: Português para Estrangeiros no Contexto da Escola Bilíngue (Português/Inglês) Escrito por Elisa Neves Originalmente disponível em http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&#38;view=article&#38;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&#38;catid=57:edicao-2&#38;Itemid=92 Resumo O ensino de Português para estrangeiros no contexto da escola bilíngue (Português/Inglês) oferece um excelente campo de investigação em Linguística Aplicada, pois há uma crescente tendência no mundo globalizado de abertura de escolas bilíngues, as [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1590&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bilinguismo de Escola: Português para Estrangeiros no Contexto da Escola Bilíngue (Português/Inglês)</p>
<p>Escrito por Elisa Neves</p>
<p>Originalmente disponível em <a href="http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&amp;catid=57:edicao-2&amp;Itemid=92">http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&amp;catid=57:edicao-2&amp;Itemid=92</a></p>
<p><strong>Resumo</strong><br />
O ensino de Português para estrangeiros no contexto da escola bilíngue (Português/Inglês) oferece um excelente campo de investigação em Linguística Aplicada, pois há uma crescente tendência no mundo globalizado de abertura de escolas bilíngues, as quais recebem alunos estrangeiros oriundos de diversos países e culturas. Para isso, as escolas precisam estar preparadas para enfrentar os desafios no que se refere ao ensino e a aprendizagem de Português como Segunda Língua (PSL)/Língua Adicional (PLA).</p>
<p><strong>Palavras-chave:</strong>Português para estrangeiros, contexto bilíngue, desafios</p>
<p><strong><em>ABSTRACT</em></strong></p>
<p><em>Teaching Portuguese to foreigners in the context of a bilingual school (Portuguese/English) offers an excellent field for research in Applied Linguistics because there’s an increasing tendency in the globalized world for the opening of bilingual schools, which receive foreign students from various countries and cultures. For this, schools need to be prepared to face the challenges regarding to teaching and learning of Portuguese as a Second Language (PSL) /Additional Language (PAL).</em></p>
<p><strong><em>Key-words:</em></strong><em>Portuguese for foreigners, bilingual context, challenges</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>1 Introdução</strong></p>
<p>O ensino de Português para estrangeiros no contexto da EB<a title="title" name="_ftnref1" href="http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&amp;catid=57:edicao-2&amp;Itemid=92#_ftn1"></a>[1](Português/Inglês) no Brasil é campo pouco explorado, precisando ainda da atenção dos pesquisadores em Linguística Aplicada. Pesquisas sobre os processos que envolvem o ensino e a aprendizagem de Português como Segunda Língua (PSL), ou Português como Língua Adicional (PLA) são de fundamental importância não somente para as EBs, mas também para as escolas públicas e particulares, visto que há uma crescente demanda de estrangeiros oriundos de diversos países que fazem do Brasil a sua pátria por um determinado período de tempo.</p>
<p>A permanência de estrangeiros no Brasil exige que as escolas estejam preparadas para atender este novo público, oferecendo-lhes educação de qualidade e promovendo o real aprendizado da língua portuguesa. Essa nova realidade no contexto escolar brasileiro está diretamente relacionada com a globalização, pois ao ampliar as relações entre nações e ao abrir as fronteiras que antigamente separavam povos e culturas, os cidadãos do mundo agora têm a possibilidade de circular pelos países com mais facilidade. Nas palavras de Rajagopalan (2003, p. 57), “queiramos ou não, vivemos em um mundo globalizado. Entre outras coisas, isso significa que os destinos dos diferentes povos que habitam a terra se encontram cada vez mais interligados e imbricados uns nos outros (&#8230;)”.</p>
<p>Diante das mudanças em nível cultural, social, econômico e geopolítico que o mundo enfrenta neste novo milênio, é eminente a necessidade de se relacionar com outros povos, conhecer novas culturas, e principalmente de se comunicar em outras línguas. É preciso estar aberto ao intercâmbio com outras nacionalidades, e mais do que isso, estar disposto a aprender línguas. Rajagopalan (2003, p. 25) comenta sobre essa realidade e afirma que esta realidade está “marcada de forma acentuada por novos fenômenos e tendências irreversíveis como a globalização e a interação entre culturas, com conseqüências diretas sobre a vida e o comportamento cotidiano dos povos (&#8230;)”.</p>
<p>Sob essa perspectiva, o ensino e a aprendizagem de línguas fazem parte destas novas tendências e realidades, entrando no palco das grandes discussões sobre melhores estratégias de ensino, metodologias, materiais e livros didáticos, formação de professores, entre muitos outros assuntos pertinentes ao campo de pesquisa em Linguística Aplicada e disciplinas de contato.</p>
<p>Percebo então, a importância das EBs neste cenário, uma vez que desempenham um relevante papel social e educacional ao preparar os cidadãos para essa nova realidade que atinge dimensões planetárias. Voltando o foco para o Brasil, mais precisamente à capital federal, observo certo contingente de estrangeiros que permanecem na cidade por um período mínimo de dois anos. As famílias de estrangeiros, em sua maioria diplomatas e funcionários de embaixadas, precisam colocar seus filhos na escola. Qual a melhor opção? A EB, é claro! A EB (Português/Inglês) oferece às famílias uma educação de qualidade, visto que o currículo é internacional, o calendário escolar é diferenciado (o ano letivo inicia em agosto e termina em junho), os alunos aprendem Inglês e Português no Ensino Fundamental e, se permanecerem na escola até o Ensino Médio, os alunos aprendem mais duas línguas estrangeiras. No último ano do Ensino Médio a escola oferece dois programas: um internacional, que prepara os alunos para ingressar em universidades no exterior; e outro nacional, que tem como objetivo preparar os alunos para o Vestibular no Brasil.</p>
<p>A EB oferece aos alunos um contexto de ensino e aprendizagem diferente daquele encontrado em escolas regulares públicas ou particulares. A EB hoje, no Brasil, é reconhecida pela qualidade da educação oferecida aos alunos e também pelas suas especificidades. A seguir, antes de iniciar a discussão sobre o ensino de Português para estrangeiros, pretendo levantar alguns tópicos importantes no que se refere à situação e ao contexto mais especifico das EBs no Brasil, para que se compreenda melhor a proposta de ensino da língua portuguesa para estrangeiros.</p>
<p><strong>2  A escola bilíngue (Português/Inglês) no Brasil: situação e contexto</strong></p>
<p>Atualmente, o número de EBs cresce no Brasil a cada ano. No dia 22 de janeiro de 2010 o Jornal O Estado de São Paulo publicou uma matéria sobre o salto no número de EBs no Brasil, de 145 em 2007 para 180 em 2009, registrando assim um aumento de 24% no período. Mesmo com todo esse crescimento, as EBs atuam no mercado nacional sem uma legislação específica que as regulamente e sem a orientação das Secretarias de Educação de cada estado. Nem mesmo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LEI 9394/96, prevê com clareza a situação das mesmas no Brasil. Um exemplo claro desta situação no país é o parecer do Conselho Estadual de Educação de São Paulo ao conceder à Escola Suiço-Brasileira a autorização de funcionamento, não mais como Curso Experimental Bilíngue, e sim, como Ensino Básico Regular.</p>
<p>No presente caso, constata-se que a requerente foi autorizada a funcionar como Curso Experimental Bilíngüe, em caráter de experiência pedagógica, quando estavam em vigor as Leis Federais números4.024/61 e 5.692/71. Porém, com o advento da nova LDB – Lei Federal nº 9.394/96 – a competência das escolas para formular e executar suas propostas pedagógicas ficou clara: respeitada a base nacional comum, os sistemas de ensino e as unidades escolares têm autonomia para organizar o currículo de acordo com &#8220;as características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela.&#8221; (Artigo 26). A Indicação CEE nº 21/97, acima citada, destacou bem esses princípios flexibilizadores da LDB e concluiu que as experiências pedagógicas autorizadas por este Conselho, nos termos da Lei Federal nº 9394/96, são consideradas como projetos pedagógicos regulares. Os cursos ministrados pela escola devem perder a denominação &#8220;experimental&#8221;.(<a href="http://www.ceesp.sp.gov.br/Pareceres/pa_447_02.htm">http://www.ceesp.sp.gov.br/Pareceres/pa_447_02.htm</a>)</p>
<p>Penso então que devemos nos preocupar com esses dados e exigir dos órgãos competentes que prestem atenção às novas tendências mundiais e elaborem diretrizes que atendam às necessidades das escolas bilíngues no Brasil. Devido à complexidade que envolve o assunto, não me deterei a tais questões, pois pretendo discutir sobre o ensino e a aprendizagem da língua portuguesa para estrangeiros no contexto da EB (Português/Inglês), mais precisamente, na capital federal. Deixo esta questão em aberto para que seja analisada e refletida pelos leitores e pesquisadores, e quem sabe estudos futuros possam explicar melhor a situação na qual se encontram as EBs no Brasil.</p>
<p>No que se refere ao contexto da EB, é preciso compreender que muitas são suas especificidades, e que toda a estrutura da escola é organizada e planejada com o foco voltado ao ensino e a aprendizagem das línguas oferecidas. O contexto escolar é diferenciado do contexto de escolas públicas, particulares e de cursos de idiomas, uma vez que a diversidade cultural é o fator chave na EB. Ao conviver com múltiplas culturas, nacionalidades e línguas, alunos e professores vivenciam experiências de ensino e de aprendizagem únicas. Além disso, a proposta pedagógica, os programas de ensino e os currículos são diferenciados, mas atendem rigorosamente à todas as exigências dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). O calendário é internacional, a carga horária é maior e os professores são altamente capacitados. Normalmente, as EBs investem em cursos de formação contínua para o corpo docente. Todos estes itens são fundamentais para que a EB seja considerada um exemplo de educação de qualidade, principalmente no Brasil.</p>
<p>De acordo com Hamayan e Freeman (2005, p. 251)<a title="title" name="_ftnref2" href="http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&amp;catid=57:edicao-2&amp;Itemid=92#_ftn2"></a>[2]<em>, </em>“educação bilíngue é um programa educacional bem planejado que utiliza duas línguas para propósitos instrucionais.” E segundo a enciclopédia virtual Wikipédia<a title="title" name="_ftnref3" href="http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&amp;catid=57:edicao-2&amp;Itemid=92#_ftn3"></a>[3], “(&#8230;) educação bilíngue envolve ensinar o conteúdo acadêmico em duas línguas, na língua nativa e na segunda língua com quantidades variáveis de cada língua utilizada de acordo com o modelo do programa”.</p>
<p>É importante mencionar que as EBs, quando credenciadas como escolas internacionais, recebem periodicamente a visita de especialistas em educação de diversos países, que verificam se a escola está funcionando de acordo com padrões internacionais de educação. É exigido da escola um plano de desenvolvimento contínuo, com metas estabelecidas e que devem ser cumpridas dentro do prazo estipulado, garantindo, assim, uma constante preocupação em: melhorar, inovar e atualizar os programas e currículos;  expandir a estrutura física da escola; e oferecer capacitação contínua ao corpo docente. Acredito que é justamente essa preocupação com a qualidade da educação que falta aos demais contextos escolares mencionados anteriormente, para que os processos de ensino e aprendizagem sejam realmente efetivos e reais em todos os aspectos. Visto que as EBs não recebem apoio e orientação dos órgãos governamentais, é preciso buscá-lo em organizações internacionais, tais como o AdvancED<a title="title" name="_ftnref4" href="http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&amp;catid=57:edicao-2&amp;Itemid=92#_ftn4"></a>[4], por exemplo, que trabalha com o credenciamento de escolas para que se tornem internacionais. Outro fator importante de ser compreendido no que se refere ao contexto da EB é com relação à diversidade cultural que existe dentro e fora da sala de aula de Português para estrangeiros. Na capital federal se observa um grande contingente de famílias de estrangeiros que residem na cidade por um período mínimo de dois anos, os quais, em sua maioria, são funcionários das embaixadas. Em uma única sala de aula há alunos oriundos de países como Sudão, Nigéria, Egito, Peru, Hungria, Holanda, Argentina, Inglaterra, Estados Unidos, França, Portugal, Itália, Canadá, entre muitos outros. Muitos desses alunos estão aprendendo a língua portuguesa como segunda língua, enquanto outros estão aprendendo-a como língua adicional. São comuns alunos que já são bilíngues e estão aprendendo na escola mais duas línguas, o Inglês e o Português. Diante desta realidade, o professor de Português para estrangeiros precisa saber lidar com a diversidade cultural presente na sala de aula, bem como planejar suas aulas de forma a atender as necessidades individuais de cada aluno, respeitando seus estilos de aprendizagem, suas vivências e experiências de aprendizagem em outras línguas e suas possíveis dificuldades com os padrões da língua portuguesa.</p>
<p><strong>3     </strong><strong>Português para estrangeiros no contexto da EB</strong></p>
<p>A sala de aula de Português para estrangeiros é um universo repleto de curiosidades, desafios e conquistas. O professor de PSL/PLA precisa saber lidar com a diversidade cultural, bem como respeitar toda a bagagem cultural e experiências de vida que os alunos trazem à sala de aula.</p>
<p>Os aspectos culturais estão fortemente envolvidos no processo de ensino e aprendizagem da língua alvo e precisam ser valorizados e respeitados. Ao entrar em contato com a língua portuguesa e ao vivenciar essa nova cultura, os alunos estrangeiros começam a se sentir mais pertencentes ao meio no qual estão inseridos, e logo estabelecem relações sociais e afetivas com os alunos brasileiros. Concordo com Almeida Filho (2002, p. 210) quando o autor afirma que,</p>
<p>“o lugar da cultura é o mesmo da língua quando essa se apresenta como ação social propositada. A experiência com e na língua-alvo em atividades envolventes e tidas como relevantes pelos alunos favorece o trabalho pela consciência cultural do outro e da própria L1 na aquisição de uma nova língua”.</p>
<p>Os alunos estrangeiros iniciam o processo de aprendizagem da língua portuguesa em uma turma especial, onde desenvolvem suas habilidades linguísticas em Português, por meio de atividades diferenciadas. Os conteúdos são organizados em um mapa curricular que é seguido de acordo com o ano em que o aprendiz se encontra matriculado. Para cada ano letivo, os alunos são agrupados de acordo com seu nível de conhecimento na língua portuguesa, visto que alguns alunos já possuem certo conhecimento da língua-alvo. Um caso muito comum na escola é o de famílias que moraram no exterior por um determinado tempo, tiveram seus filhos em outro país, e por isso as crianças aprenderam outra língua como materna. Ao retornar ao Brasil, estas crianças não são fluentes em Português e, ainda, precisam ser alfabetizadas na língua portuguesa para que possam freqüentar as aulas nas turmas regulares. Além destes casos, há os estrangeiros que não conhecem a língua. Por isso, os alunos são agrupados em quatro níveis diferentes para que possam receber instrução individualizada e de acordo com suas necessidades.</p>
<p>Sendo assim, os alunos estrangeiros são preparados para atingir altos níveis de proficiência e fluência na língua-alvo. O principal objetivo das aulas de PSL/PLA, nas turmas especiais para estrangeiros é promover situações reais de comunicação dentro e fora da sala de aula. Os alunos desenvolvem atividades de estudo do meio, com pesquisa de campo, onde visitam diversos lugares na cidade, tais como Palácio do Planalto, teatros, museus, bibliotecas, supermercados, entre outros. Como os alunos estão inseridos num contexto de imersão na língua portuguesa, suas oportunidades de comunicação na língua-alvo são reais, possuem significado e acontecem diariamente na rotina escolar. Almeida Filho (2007, p. 102) afirma que,</p>
<p>“(…) é na comunicação verdadeira, linguisticamente intensa, afetivamente envolvente e veiculada na própria língua-alvo que vai se construir no aprendiz uma competência comunicativa na nova língua.”</p>
<p>Os alunos estrangeiros que permanecem na EB até o último ano do Ensino Médio se submetem ao exame de proficiência em Português para estrangeiros, o CELPE-Bras. O Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros foi desenvolvido pelo Ministério de Educação (MEC) e tem sido utilizado por muitos estrangeiros como comprovação de proficiência na língua portuguesa.</p>
<p>A realização deste exame de proficiência é de fundamental importância para os alunos estrangeiros que concluem seus estudos na EB (Português/Inglês), pois segundo Rottava (2008, p. 245) o CELPE-Bras é o único exame brasileiro de proficiência em Português para Estrangeiros/Português como Língua Estrangeira certificado e oficialmente reconhecido. Internacionalmente, é aceito por empresas e instituições acadêmicas como prova de competência em PE. No Brasil, as universidades exigem o exame para que alunos estrangeiros possam se matricular em programas de graduação e pós-graduação.</p>
<p>A EB possui vários alunos estrangeiros que finalizam o Ensino Médio na escola e alguns conseguem, inclusive, ingressar em universidades no Brasil. Acredito que esses resultados atingidos pelos alunos comprovam a seriedade e o compromisso da EB em realmente formar e preparar cidadãos capazes de realizar seus sonhos e atingir seus objetivos em qualquer lugar do mundo.</p>
<p>Para que o professor de Português para estrangeiros consiga atingir o resultado esperado no ensino da língua alvo, é preciso ter criatividade e muita vontade de ensinar, além é claro das competências que o professor de línguas precisa possuir e desenvolver continuamente. Pretendo comentar sucintamente sobre alguns dos desafios que o professor de PSL/PLA encontra em sua prática diária no contexto da EB (Português/Inglês).</p>
<p><strong>4     </strong><strong>Desafios no ensino de Português para estrangeiros</strong></p>
<p>O ensino de Português para estrangeiros oferece muitos desafios aos professores e à escola como um todo. Considero como desafios toda a questão cultural envolvida no processo de ensino e aprendizagem, as relações com a família dos alunos estrangeiros, e principalmente no que se refere aos livros e materiais didáticos disponíveis no mercado para o ensino de PLE.</p>
<p>Os livros e materiais didáticos que veiculam a língua e a cultura brasileira em língua portuguesa para estrangeiros precisam estar adequados ao contexto de ensino, ou seja, os materiais de PLE para a EB devem ser diferenciados, pois os alunos estão em um contexto de imersão na língua-alvo. Compartilho as ideias de Pacheco (2006, p. 25) quando a autora afirma que no exercício de regência de turmas de PLE, em turmas com alunos de nacionalidades distintas, (&#8230;) a prática demonstra necessidades e interesses diferenciados dos aprendizes. Essa constatação ajuda a descortinar as distintas formas de lidar com o aprender PLE de cada estrangeiro, o que vai demandar escolhas distintas no que tange a estratégias de ensino, abordagem e métodos, tipos de recursos a serem explorados, os MDs a serem utilizados.</p>
<p>Devido aos poucos livros e materiais apropriados e adequados ao contexto escolar e aos aprendizes, a EB adapta o uso de vários livros de português para estrangeiros, em sua maioria livros que não são específicos para o ensino de crianças. Vale ressaltar que além destes materiais a professora de PLE prepara muitos materiais didáticos, exercícios, e ainda utiliza como complemento um livro de português como língua materna para alunos do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental. Diante destas observações, aponto aqui a necessidade de pesquisas futuras sobre a elaboração de materiais e livros didáticos apropriados ao ensino de PLE, respeitando a faixa etária, a diversidade cultural dos alunos estrangeiros e adequados ao contexto de cada escola, seja ela uma escola regular pública, privada, bilíngue ou internacional.</p>
<p><strong>Considerações Finais</strong></p>
<p>O ensino de PLE na EB é assunto interessante aos pesquisadores em LA, visto que ainda há muito campo para novos estudos e pesquisas. Percebo a complexidade de tal assunto, bem como sua relevância para o contexto mundial em se tratando de ensino de línguas em um mundo globalizado. Após discutir brevemente sobre vários tópicos relacionados ao ensino de Português para estrangeiros no contexto da EB no Brasil, mais especificamente na capital federal, compreendo que o assunto não se esgota tão facilmente, pelo contrário, mais dúvidas e questionamentos aparecem.</p>
<p>Cada vez mais as escolas deverão estar preparadas para receber alunos estrangeiros em suas salas de aula, visto que o Brasil tem sido escolhido como pátria, temporária ou permanente, por muitas famílias estrangeiras. Ao considerar o mundo como uma real Aldeia Global, entendo que as fronteiras devem ser desfeitas e as culturas devem ser acolhidas com respeito. Sendo assim, o ensino de PLE nas escolas brasileiras, não somente nas EB, mas em todos os contextos educacionais onde houver aluno estrangeiro, deve ser (re)avaliado, (re)estruturado e (re)pensado com o foco no real aprendizado do Português do Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Referências Bibliográficas</strong></p>
<p>ALMEIDA FILHO, J. C. P. (Org.). <strong>Parâmetros atuais para o ensino de Português como língua estrangeira</strong>. Campinas: Pontes, 1997.</p>
<p>_____. <strong>Projetos iniciais em Português para falantes de outras línguas</strong>. Campinas: Pontes, 2007.</p>
<p>_____. Língua além de cultura ou além de cultura, língua? Aspectos do ensino da interculturalidade. <em>In:</em> CUNHA, M. J. C., SANTOS, P. (Org.). <strong>Tópicos em Português Língua Estrangeira.</strong> Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2002, p. 209-215.</p>
<p><strong>Definição de bilingual education</strong>. Wikipedia on-line. Disponível em: ˂<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bilingual_education">http://en.wikipedia.org/wiki/Bilingual_education</a>˃. Acesso em: 13 jun. 2010.</p>
<p><strong>Cresce procura por escolas bilíngues no País.</strong>Net, São Paulo, jan. 2010. Jornal O Estado de São paulo, Seção Educação. Disponível em: ˂<a href="http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cresce-procura-por-escolas-bilingues-no-pais,499839,0.htm">http://www.estadao.com.br/noticias/geral,cresce-procura-por-escolas-bilingues-no-pais,499839,0.htm</a>˃. Acesso em: 22 jan. 2010.</p>
<p>HAMAYAN, E.; FREEMAN, R. <strong>English Language Learners at School</strong>: a guide for administrators. Philadelphia: Caslon Publishing, 2006.</p>
<p>Informações sobre AdvancED disponível em: ˂<a href="http://www.advanc-ed.org/">http://www.advanc-ed.org</a>˃. Acesso em: 13 abril 2011.</p>
<p>ISKANDAR, J. I. <strong>Normas da ABNT</strong>: comentadas para trabalhos científicos. 4.ed. Curitiba: Juruá, 2009.</p>
<p>MEDEIROS, V.; PACHECO, D. <strong>Os manuais de ensino e o lugar do professor de Português como segunda língua.</strong> Horizontes de Linguística Aplicada, Brasília, vol. 4, n. 2, p. 23-34, nov. 2005.</p>
<p>Ministério da Educação, <strong>Celpe-Bras</strong>. Disponível em: ˂http://portal.mec.gov.br/index. php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=12270&amp;ativo=519&amp;Itemid=518˃. Acesso em: 29 nov. 2010.</p>
<p>PACHECO, D. G. L. C. <strong>Português para estrangeiros e os materiais didáticos:</strong> um olhar discursivo. Rio de Janeiro, 2006. 335 p. Tese (Doutorado em Letras). Curso de Pós-graduação em Letras do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>
<p>Parecer do Conselho Estadual de Educação de São Paulo. Disponível em: <a href="http://www.ceesp.sp.gov.br/Pareceres/pa_447_02.htm">www.ceesp.sp.gov.br/Pareceres/pa_447_02.htm</a>Acesso em: 28 fev. 2011.</p>
<p>RAJAGOPALAN, K. Por uma lingüística crítica: linguagem, identidade e a questão ética. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.</p>
<p>ROTTAVA, L. Brazilian Portuguese as Foreign/second Language: an overview. <em>In:</em>ORTIZ ALVAREZ, M. L.; SILVA, K. A.<strong>Perspectivas de investigação em Linguística Aplicada. Campinas: Pontes, 2008, p. 245-266.</strong></p>
<p><a href="http://www.advanc-ed.org/">http://www.advanc-ed.org</a></p>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<div id="ftn1">
<p><a title="title" name="_ftn1" href="http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&amp;catid=57:edicao-2&amp;Itemid=92#_ftnref1"></a><br />[1]No decorrer do artigo, as palavras <span style="text-decoration:underline;">escola bilíngue</span> serão representadas pela abreviação <span style="text-decoration:underline;">EB</span>.</p>
</div>
<div id="ftn2">
<p><a title="title" name="_ftn2" href="http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&amp;catid=57:edicao-2&amp;Itemid=92#_ftnref2"></a>[2]No original: <em>“bilingual education is a well-planned educational program that uses two languages for instructional purposes”</em>(HAMAYAN &amp; FREEMAN, 2005, p. 251)<em>.</em></p>
</div>
<div id="ftn3">
<p><a title="title" name="_ftn3" href="http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&amp;catid=57:edicao-2&amp;Itemid=92#_ftnref3"></a>[3]No original: <em>“bilingual education involves teaching academic content in two languages, in a native and secondary language with varying amounts of each language used in accordance with the program model” (</em><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bilingual_education">http://en.wikipedia.org/wiki/Bilingual_education</a>).</p>
</div>
<div id="ftn4">
<p><a title="title" name="_ftn4" href="http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=178:bilinguismo-de-escola-portugues-para-estrangeiros-no-contexto-da-escola-bilingue-portuguesingles&amp;catid=57:edicao-2&amp;Itemid=92#_ftnref4"></a>[4]O AdvancED é uma organização composta pela <em>North Central Association Commission on Accreditation and School Improvement (NCA CASI)</em>e <em>Southern Association of Colleges and Schools Council on Accreditation and School Improvement (SACS CASI)</em>que realiza o credenciamento de escolas para que se tornem internacionais, visando altos níveis de excelência em educação.</p>
</div>
</div>
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		<title>Resenha do livro &#8220;Estrangeirismos: guerras em torno da língua&#8221;, de Carlos Alberto Faraco</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 13:01:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Selma Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bilinguismo]]></category>
		<category><![CDATA[Multiculturalismo]]></category>
		<category><![CDATA[variação linguística]]></category>
		<category><![CDATA[bilinguismo]]></category>
		<category><![CDATA[estrangeirismos]]></category>

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		<description><![CDATA[Aumentam a cada dia os intercâmbios presenciais ou virtuais entre pessoas de diversos lugares, falantes de línguas diferentes. É inevitável que na troca e na comunicação as línguas em contato influenciem umas às outras, dando origem a empréstimos e criação de novas palavras. Isso é normal? É benéfico? Precisam ser impedidas as mudanças de uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1584&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#333399;"><a href="http://educacaobilingue.files.wordpress.com/2012/01/multilingualism1.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-1588" title="multilingualism" src="http://educacaobilingue.files.wordpress.com/2012/01/multilingualism1.jpg?w=106&#038;h=150" alt="" width="106" height="150" /></a>Aumentam a cada dia os intercâmbios presenciais ou virtuais entre pessoas de diversos lugares, falantes de línguas diferentes. É inevitável que na troca e na comunicação as línguas em contato influenciem umas às outras, dando origem a empréstimos e criação de novas palavras. Isso é normal? É benéfico? Precisam ser impedidas as mudanças de uma língua na outra?</span></p>
<p><span style="color:#333399;">Embora pareça que a influência de línguas estrangeiras seja muito forte hoje, podemos lembrar que esse fenômeno sempre ocorreu, em maior ou menor intensidade. Sabemos que línguas como o português, o espanhol, o francês e o italiano derivam do latim, que sofreu mudanças em regiões diversas do mundo pelo uso de seus falantes e pelo contato com outras línguas. O que ocorre hoje? </span></p>
<p><span style="color:#333399;">Para todos os que se preocupam com bilinguismo, ensino e aprendizagem de línguas e multiculturalismo, acredito que estas questões, tratadas no livro de Carlos Alberto Faraco, são muito importantes. Por isso, creio que a resenha abaixo deve interessar e, espero, dar vontade de ler o livro todo. Espero que gostem da dica!</span></p>
<p><span style="color:#333399;">Selma</span></p>
<p style="text-align:center;"><strong>RESENHA</strong></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">F<small>ARACO</small>, Carlos Alberto (org.) (2001) <em>Estrangeirismos: Guerras em Torno da Língua. </em>São Paulo, SP: Parábola Editorial, 191 p.</span></p>
<p><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;"><a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&amp;pid=0102-4450&amp;lng=en&amp;nrm=iso">DELTA (Documentação de Estudos em Linguística Teórica e Aplicada), vol.18 no.2 São Paulo  2002</a>. Originalmente disponível em: <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-44502002000200007&amp;script=sci_arttext">http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-44502002000200007&amp;script=sci_arttext</a></span></span></p>
<p id="printISSN"><em><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;"><strong>Palavras-chave:</strong> Empréstimos; Política lingüística; Preconceito lingüístico. </span></em></p>
<p><em><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;"><strong>Key-words: </strong>Loan words; Linguistic policy; Prejudice.</span></em></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Este livro aparece em boa hora no mercado editorial brasileiro. Já era hora que os lingüistas do país se dedicassem detidamente a um assunto que diz respeito a eles diretamente e que, no entanto, passou à margem das atenções da comunidade por um bom tempo: a saber, a polêmica instaurada pelo Projeto de Lei n.º 1676 de 1999, da autoria do Deputado Aldo Rebelo, em torno da delicada questão da proteção da língua da pátria contra o perigo supostamente representado pela invasão dos chamados &#8220;estrangeirismos&#8221;. Não é que, até a publicação deste volume, os nossos colegas tivessem optado por ignorar completamente o rebuliço na mídia bem como a apreensão crescente nas camadas mais variadas da população.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Houve, sim, manifestações por parte de alguns entre nós. O próprio Prof. Faraco chegou a publicar um texto na<em>Folha de São Paulo</em>, colocando o ponto de vista do lingüista diante do clima do alarmismo e sensacionalismo que se criou em torno do assunto – texto este que, em versão ligeiramente modificada, está entre os artigos que compõem a presente coletânea. Outros colegas também emprestaram as suas vozes ao coro de condenação do uso político de um assunto que, no entender da maioria de nós lingüistas, pede cautela e bom senso. Mas, via de regra, as manifestações feitas pelos lingüistas ficaram circunscritas aos anais de congressos especializados e, por isso mesmo, de pouca circulação fora da comunidade, ou foram divulgadas na forma de textos curtos em jornais e revistas de grande circulação, onde as severas restrições quanto ao espaço fizeram com que a discussão ficasse, com freqüência, superficial e de pouca sustentação argumentativa.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">O presente volume vem suprir a lacuna. Trata-se, em outras palavras, de uma primeira tentativa por parte dos lingüistas profissionais no sentido de colocar para o público geral uma perspectiva com base nos princípios e preceitos que norteiam o seu trabalho científico e, dessa forma, se contrapor ao discurso predominante onde, até o momento, os gramáticos tradicionais e leigos bem intencionados, porém muitas vezes mal informados, têm tido maior exposição. Como diz Faraco, o organizador da coletânea, num trecho do seu texto destacado na contra-capa do livro:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">A lingüística não conseguiu ainda ultrapassar as paredes dos centros de pesquisa e se difundir socialmente em contraposição aos outros discursos que dizem a língua no Brasil &#8230; Em termos de língua, vivemos numa fase pré-científica, dogmática e obscurantista.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">O livro é composto por oito trabalhos da autoria de lingüistas muito conceituados no cenário nacional e que se têm preocupado com os últimos acontecimentos na esfera do planejamento lingüístico no país. O primeiro texto, intitulado &#8220;Estrangeirismos: desejos e ameaças&#8221;, da autoria de Pedro M. Garcez e Ana Maria S. Zilles é a versão aprimorada de um outro texto publicado no livro <em>O Direito à Fala: A Questão do Preconceito Lingüístico</em>, organizado por Fábio Luiz Lopes da Silva e Heronides Maurílio de Melo Moura (Florianópolis, SC: Ed. Insular, 2000). Os autores apresentam uma discussão bastante esclarecedora do fenômeno de estrangeirismos e as múltiplas formas como a sua presença na língua hóspede (em nosso caso, o Português do Brasil) pode ser encarada, mostrando que as atitudes manifestadas nada têm a ver com fatores lingüísticos propriamente ditos, mas dizem respeito a interesses políticos e ideológicos, muitas vezes inconfessos. Discutem também o mito da pureza, os mais diversos preconceitos que existem no imaginário popular em relação às línguas naturais.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">&#8220;Guerras em torno da língua &#8211; questões de política lingüística&#8221; é o título do segundo texto da coletânea e quem o assina é Carlos Alberto Faraco, o próprio organizador do volume. Conforme já disse, trata-se de um texto que já repercutiu na grande imprensa e que provocou o próprio deputado a respondê-lo em tom nada cordial. Em texto intitulado &#8220;A neolíngua neoliberal&#8221;, publicado no mesmo jornal em 03/06/2001, o deputado retruca: &#8220;A língua é algo vivo, que precisa respirar e, não duvido, se enriquece e fortalece em contato com outras línguas e culturas. É viva justamente porque é um fato das relações sociais e não tem, como parecem acreditar ilustres professores, vida própria independente da ação dos homens e da sociedade&#8221;. Em sua tréplica, intitulada &#8220;O maiúsculo e o minúsculo&#8221;, Faraco revida em tom não menos estridente: &#8220;É lastimável quando alguém simplifica em demasia as realidades complexas: perde a proporção dos fatos e se põe a fazer afirmações desprovidas de qualquer fundamento. Enquanto essas simplificações permanecem nos limites estritos do idiossincrático (são mera crença ou opinião pessoal), parece não haver maiores problemas, afinal cada um acredita naquilo que bem lhe apraz. Contudo, quando essas simplificações ultrapassam tais limites e começam a sustentar ações com repercussão para além do idiossincrático, a situação se torna, no mínimo, preocupante&#8221;. Pelo que se vê, a guerra começou com todo o estardalhaço a que tem direito.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Sob o título &#8220;Cassandra, Fênix e outros mitos&#8221;, Marcos Bagno não poupa ironia em condenar a arrogância com que alguns se acham no direito de opinar a respeito de como os outros devem se comportar em matéria da linguagem. Alguns dos títulos dados às seções sintetizam bem o sentido argumentativo desse texto: &#8220;O papel (mofado) das academias de letras&#8221;, &#8220;Português a ferro e fogo&#8221;, &#8220;falsos profetas, falsas fênix&#8221;, &#8220;Ratos, cobras e autos-da-fé&#8221;. A conclusão contundente do autor:</span></p>
<blockquote><p><strong><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Quem precisa ser defendido é o falante do português brasileiro (e não sua língua), que vive no país com maior injustiça social de todo o planeta, com a maior concentração de propriedade fundiária de todo o mundo. É a criança e o jovem que não são acolhidos por um sistema educacional classificado entre os piores do mundo, junto com o sistema público de saúde. É o professor de todos os graus de ensino, humilhado continuamente com salários obscenos e condições de trabalho próximas a escravidão. É o cientista sério que tem de mendigar verbas para levar adiante suas pesquisas (enquanto a corrupção na mais alta esfera federal derrama milhões de dólares a rodo para quem estiver pronto para se vender). Mas a língua &#8230;vamos deixar ela em paz, <em>ok</em>? (p. 83)</span></strong></p></blockquote>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Quem assina o texto em seguida é John Robert Schmitz. O autor discute a repercussão do projeto de lei n.º 1676/99 na imprensa paulista, fazendo uma retrospectiva da sua própria cruzada nesse campo. Chama a atenção em especial para as dificuldades que os lingüistas como ele encontram em conseguir espaço na imprensa que apenas se preocupa com o potencial da matéria para cativar o leitor, deixando de lado, com freqüência, a sua função de informar o público e de intervir decisiva e imparcialmente nas questões mais importantes.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Em sua contribuição ao livro, José Luiz Fiorin tece considerações interessantes sobre o projeto de lei em discussão. Com muita propriedade, destaca o fato um tanto irônico de que o esforço do nobre deputado, que tem a pretensão de contribuir para a formulação de uma política lingüística para o país, na verdade acaba inviabilizando a sua própria meta ao recomendar uma &#8220;planificação lingüística&#8221;. O raciocínio do autor se baseia na premissa inquestionável de que &#8220;uma política lingüística só existe quando há escolha, seja entre diferentes variedades lingüísticas, seja entre diferentes línguas&#8221; (p. 107).</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">&#8220;E por que não nos defender da língua?&#8221; é o título do texto seguinte, da autoria de Paulo Coimbra Guedes, que condena &#8220;a defesa da língua portuguesa&#8221; como &#8220;um projeto antigo, conservador, elitista e excludente&#8221; (p. 135). Trata-se de um artigo que havia sido publicado no Boletim n.º 4 da Associação da Lingüística Aplicada do Brasil (ALAB) que, por sua vez, era &#8220;versão revisada e aumentada do texto publicado no &#8216;Segundo Caderno – Cultura&#8217; do Jornal <em>Zero Hora</em> de Porto Alegre no dia 29/04/00, p. 8&#8243;, conforme nota de rodapé do próprio autor. Após arrolar, com muita clareza, uma série de argumentos contra o projeto, o autor destaca a urgência de focar a questão do déficit educacional que assombra o país, pleiteando a tomada de medidas concretas destinadas a resolver problemas reais, ao invés de caçar bruxas como pretendem tentativas fúteis e inócuas como a do deputado Rebelo.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">O texto de Ana Maria Stahl Zilles é uma reformulação de um outro publicado no Boletim n.º 4 da ALAB (julho de 2000) e tem como título &#8220;Ainda os equívocos no combate aos estrangeirismos&#8221;. A autora critica o projeto de lei por não levar em conta uma série de fatos da realidade lingüística brasileira como o da diversidade de dialetos que compõem o idioma nacional e por fazer vista grossa a uma série de injustiças que foram e continuam a ser cometidas em nome, por exemplo, da suposta unidade lingüística. &#8220;Por tantos equívocos&#8221;, conclui a autora, &#8220;só nos resta lamentar que algumas pessoas, imbuídas da crença de que estão defendendo a língua, a identidade e a pátria, na verdade estejam reforçando velhos preconceitos e imposições&#8221; (p. 160).</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">O último texto da coletânea é da autoria de Sírio Possenti. Intitulado &#8220;A questão dos estrangeirismos&#8221;, o texto, conforme o próprio autor nos diz, foi confeccionado a partir de trechos de outros textos de sua própria autoria, já publicados na mídia. O autor consegue apresentar um ponto de vista bastante sóbrio (porém em um tom cheio de ironia, a marca registrada do seu estilo), em meio a tantas colocações exaltadas que circulam por aí, quer a favor, quer contra o assunto em pauta. Diz o autor:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Em primeiro lugar, diria que se trata de uma causa simpática &#8211; para mim, pelo menos, que sou do tempo em que &#8220;nacionalismo&#8221; não era palavrão. Minhas discordâncias em relação ao projeto não têm a ver necessariamente com o objetivo que ele persegue, até porque, pela letra, trata-se tanto de cultivar a língua portuguesa quanto de punir usuários de termos estrangeiros em certas circunstâncias. Gostaria que o projeto produzisse como efeito a descoberta do óbvio: que, para proteger de fato nossa língua, temos que tornar nossa economia poderosa e nossa cultura tão charmosa que nenhuma outra nos tente (p.168).</span></p></blockquote>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Conforme já disse, não há como negar a grande importância de um livro como este. Ele veio suprir uma lacuna gritante no mercado editorial brasileiro: um volume que apresentasse, de forma sintética e acessível ao público leigo, o ponto de vista do lingüista diante da polêmica sobre o uso de estrangeirismos que ganha destaque cada vez mais na mídia.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Que este esforço de Faraco no sentido de aproximar o lingüista e o publico leigo sirva de exemplo para um número maior de nossos colegas. O desrespeito à figura do leigo foi, infelizmente, um dos princípios fundadores da lingüística enquanto ciência moderna. Saussure despreza as opiniões do leigo, dizendo: &#8220;Nenhum outro assunto tem gerado tantas idéias absurdas, tantos preconceitos, tantas ilusões e tantos mitos&#8221; (Saussure 1915: 22, apud. Aitchison 2001: 614). Em seu clássico ensaio &#8220;Secondary and tertiary responses to language&#8221;, Leonard Bloomfield, o pai da disciplina nos Estados Unidos chega a recomendar que o lingüista preste atenção somente ao que seu informante fala <em>em</em> sua língua, jamais o que ele possa vier a falar <em>sobre</em> a mesma. Ou seja, não sendo uma pessoa que teve passagem pelas aulas introdutórias sobre a nova ciência, o leigo não pode ser considerado confiável no que diz respeito às suas eventuais opiniões acerca da linguagem. Conforme já argumentei em outras oportunidades (Rajagopalan 1999), tal postura fez com que fosse criado um enorme fosso entre o &#8216;perito&#8217; e o &#8216;leigo&#8217;. Ora, se hoje em dia nós lingüistas estamos percebendo que as nossas opiniões estão cada vez menos sendo levadas em conta pela opinião pública, acredito que parte da culpa esteja naquele princípio fundador da própria disciplina que efetivamente vedou qualquer possibilidade de um diálogo.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Em outras palavras, o que precisamos fazer com urgência é dar início a uma ampla discussão em torno da nossa própria conduta ao longo do tempo, com objetivo de corrigir eventuais falhas (Rajagopalan &#8211; no prelo). O livro de Faraco pode ser considerado como uma boa oportunidade para desencadearmos um processo sério de reavaliação do nosso modo de lidar com o público.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:small;"><strong>Referências</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">A<small>ITCHISON</small>, J. 2001. Misunderstandings about language: a historical view. <em>Journal of Sociolinguistics</em>, <strong>5. 4</strong>: 611-619.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">B<small>LOOMFIELD</small>, L. 1944. Secondary and tertiary responses to language. <em>Language</em>, <strong>20</strong>: 45-55.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">R<small>AJAGOPALAN</small>, K. 1999. Tuning up amidst the din of discordant notes: on a recent bout of identity crisis in applied linguistics.<em>International Journal of Applied Linguistics</em>, <strong>9.2</strong>: 99-119.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">_____ (no prelo). National languages as flags of allegiance; or the linguistics that failed us: a close look at emergent linguistic chauvinism in Brazil. <em>Language &amp; Politics</em>.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">S<small>AUSSURE</small>, F. de 1915. <em>Cours de linguistique générale</em>. Paris: Payot.</span></p>
<p><span style="font-family:Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:x-small;">Recebido em fevereiro de 2002.</span></p>
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		<title>Palavras estrangeiras em nossa língua?</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 11:55:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Selma Moura</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Compartilho abaixo a crônica &#8220;Palavras Emprestadas&#8221;, de Ivan Angelo, publicada na Veja em 25/05/2011, para pensarmos sobre o uso de palavras estrangeiras na Língua Portuguesa. A leitora Mafalda, sob o título “Sugestão de crônica”, mandou-me um e-mail protestando contra a invasão de expressões estrangeiras no dia a dia do brasileiro. Enviou até fotos de vitrines [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1581&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#333399;">Compartilho abaixo a crônica &#8220;Palavras Emprestadas&#8221;, de Ivan Angelo, publicada na Veja em 25/05/2011, para pensarmos sobre o uso de palavras estrangeiras na Língua Portuguesa.</span><br />
A leitora Mafalda, sob o título “Sugestão de crônica”, mandou-me um e-mail protestando contra a invasão de expressões estrangeiras no dia a dia do brasileiro. Enviou até fotos de vitrines dos arredores de sua casa, na região da Rua Oscar Freire. Nas imagens leem-se “Spring/Summer Collection 2011”, “Adidas is all in” e, numa vitrine ainda tapada, “See you soon”.</p>
<p>Visionária, a leitora sonhava que eu pudesse contribuir para “mudar o uso do inglês nas ruas”, motivar algum político “a comprar essa briga”, lembrava o fracasso recente de Aldo Rebelo e dizia ser aquela uma questão de patriotismo. “Não acha?”</p>
<p>Não acho, leitora, leitores. Com jeito, vou tentar explicar.</p>
<p>Quando me alfabetizei, em 1943, havia cerca de 40.000 palavras dicionarizadas no português, segundo Domício Proença Filho, da Academia Brasileira de Letras. Hoje, são mais de 400.000; alguns filólogos estimam em 600.000. Ora, leitora, de onde brotaram tantas palavras? Dos novos hábitos da população, das inovações tecnológicas, das migrações, das gírias, dos estrangeirismos.</p>
<p>Já vê, cara Mafalda, que a consequência dos estrangeirismos não é o empobrecimento da língua, e sim o enriquecimento. Nós nos irritamos com os abusos, sim, como acontece com qualquer abuso.</p>
<p>A questão do estrangeirismo se aclara com a pergunta: com quem a pessoa quer se comunicar? Se usa palavras que muitas pessoas não entendem, não vai se comunicar com elas. Mesmo usando só o português. No caso das frases em inglês na Rua Oscar Freire, aqueles comerciantes não estão querendo se comunicar com quem não as entende. Fazendo um paralelo meio absurdo: aqueles rabiscos dos pichadores, quem entende? Eles. É coisa deles para eles.</p>
<p>Há quem use a expressão estrangeira por pedantismo, quando há termo equivalente brasileiro. Mas por que tentar impedir alguém de ser pedante? É um direito dele. Há quem use por ser um modismo, mas por que ir contra a moda? Ela passa.</p>
<p>Na maioria dos casos, usa-se o estrangeirismo por necessidade. Há palavras estrangeiras inevitáveis, porque designam coisas novas com mais exatidão e rapidez: air bag, shopping center, e-mail, flash, paparazzi, smoking, slide, outdoor, jazz, rock, funk, marketing, stand-by, chip, overdose, replay, videogame, piercing, rush, checkup, blush, fashion — e milhares de outras.</p>
<p>Havia inevitáveis que acabaram se adaptando. Já tivemos goal-keeper (goleiro), goal (gol; o Estadão escrevia “goal” até os anos 1960), offside (impedimento, impedido), corner (escanteio), volleyball (voleibol, vôlei), basketball (basquete), surf (surfe) — e tantas outras.</p>
<p>Centenas delas ficaram bem à vontade quando aportuguesadas: uísque, gol, futebol, lanchonete, drinque, iogurte, chique, conhaque, cachê, omelete, bife, toalete, clube, gangue, ringue, garçom, lorde, picles, filme, time, sanduíche, cachorro-quente, lanche, avião, televisão — e por aí vai.</p>
<p>Muitas ficaram bem bacaninhas no nosso dia a dia, mesmo usadas do jeito que chegaram: gay, jeans, pizza, show, shopping, tour, ciao, topless, manicure, vitrine&#8230;</p>
<p>Um grande número delas é dispensável, entra na conta dos pedantes, pois para dizer o que elas querem dizer temos boas palavras nossas de uso corrente: sale, off, hair dresser, suv, personal trainer, laundry, pet shop, fast-food, ice, freezer, prêt-à-porter, on-line, mailing list, bullying&#8230;</p>
<p>A leitora lembra o deputado Aldo Rebelo e sua tentativa fracassada de botar o assunto dentro de uma lei. Não dá certo, amiga. Já houve outros. O mais ridicularizado foi o latinista e filólogo carioca Antonio de Castro Lopes, figura da passagem do século XIX para o XX. Na época dele, era da França que vinham os modos, as modas e as palavras que copiávamos. Machado de Assis foi um dos que o ironizaram, numa crônica de 1889. Caiu no ridículo sua tentativa de transformar football em balipodo, abat-jour em lucivelo, piquenique em convescote, chauffeur em cinesíforo&#8230; — palavras que acabaram aportuguesadas pelo som, felizmente.</p>
<p>O povo falante há de peneirar o que merecer permanência.</p>
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		<title>A língua que somos, a língua que podemos ser</title>
		<link>http://educacaobilingue.com/2012/01/10/etnocentrismo/</link>
		<comments>http://educacaobilingue.com/2012/01/10/etnocentrismo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 09:38:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Selma Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Multiculturalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Revista Época. Originalmente disponível em http://www.geledes.org.br/patrimonio-cultural/literario-cientifico/literatura/12564-a-lingua-que-somos-a-lingua-que-podemos-ser em 09 Janeiro 2012 12:07 O que é menos pior: ser visto como um clichê ou ser ignorado? Como os outros não nos veem – e como nós não vemos os outros de nós. Uma reflexão sobre o Brasil, a literatura e o poder por ELIANE BRUM A alemã [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=educacaobilingue.com&amp;blog=11350450&amp;post=1576&amp;subd=educacaobilingue&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#666699;">Fonte: Revista Época. Originalmente disponível em http://www.geledes.org.br/patrimonio-cultural/literario-cientifico/literatura/12564-a-lingua-que-somos-a-lingua-que-podemos-ser em 09 Janeiro 2012 12:07</span></p>
<p><em>O que é menos pior: ser visto como um clichê ou ser ignorado? Como os outros não nos veem – e como nós não vemos os outros de nós. Uma reflexão sobre o Brasil, a literatura e o poder</em></p>
<p>por ELIANE BRUM</p>
<p>A alemã Anja Saile é agente literária de autores de língua portuguesa há mais de uma década. Não é um trabalho muito fácil. Com vários brasileiros no catálogo, ela depara-se com frequência com a mesma resposta de editores europeus, variando apenas na forma. O discurso da negativa poderia ser resumido nesta frase: &#8220;O livro é bom, mas não é suficientemente brasileiro&#8221;. O que seria &#8220;suficientemente brasileiro&#8221;?</p>
<p>Anja (pronuncia-se &#8220;Ânia&#8221;) aprendeu a falar a língua durante os anos em que viveu em Portugal (e é impressionante como fala bem e escreve com correção). Quando vem ao Brasil, acaba caminhando demais porque o tamanho de São Paulo sempre a surpreende e ela suspira de saudades da bicicleta que a espera em Berlim. Anja assim interpreta a demanda: &#8220;O Brasil é interessante quando corresponde aos clichês europeus. É a Europa que define como a cultura dos outros países deve ser para ser interessante para ela. É muito irritante. As editoras europeias nunca teriam essas exigências em relação aos autores americanos, nunca&#8221;.</p>
<p>Anja refere-se ao fato de que os escritores americanos conquistaram o direito de ser universais para a velha Europa e seu ranço colonizador – já dos brasileiros exige-se uma espécie de selo de autenticidade que seria dado pela &#8220;temática brasileira&#8221;. Como se sabe, não estamos sós nessa xaropada. O desabafo de Anja, que nos vê de fora e de dentro, ao mesmo tempo, me remeteu a uma intervenção sobre a língua feita pelo escritor moçambicano Mia Couto, na Conferência Internacional de Literatura, em Estocolmo, na Suécia. Ele disse:</p>
<p>- A África tem sido sujeita a sucessivos processos de essencialização e folclorização, e muito daquilo que se proclama como autenticamente africano resulta de invenções feitas fora do continente. Os escritores africanos sofreram durante décadas a chamada prova de autenticidade: pedia-se que seus textos traduzissem aquilo que se entendia como sua verdadeira etnicidade. Os jovens autores africanos estão se libertando da &#8220;africanidade&#8221;. Eles são o que são sem que se necessite de proclamação. Os escritores africanos desejam ser tão universais como qualquer outro escritor do mundo. (&#8230;) Há tantas Áfricas quanto escritores, e todos eles estão reinventando continentes dentro de si mesmos.</p>
<p>Esta conferência de Mia Couto faz parte de um livro de ensaios belíssimo chamado &#8220;E se Obama fosse africano?&#8221; (Companhia das Letras). Indico com vários pontos de exclamação. Os ensaios de Mia Couto são tão inspiradores quanto seus romances. E o que ele diz sobre a África talvez pudesse ser dito sobre o Brasil, este país que é também um continente. E sobre todo um pedaço do planeta do qual se espera que seja de uma determinada forma.</p>
<p>Se ler um livro é ousar se abrir para o outro, exigir que o outro seja como você o imagina é o avesso da experiência literária. Se os editores europeus esperam que sejamos os outros que querem que sejamos, já não somos os outros, mas o estrangeiro domesticado que mora dentro deles. E assim, com um estrangeiro de estimação habitando o seu imaginário, já não precisam nos estranhar. E com isso perdemos todos. Os leitores europeus – que como nós nada têm de homogêneo e contêm tantas diferenças quanto possível – porque abrem mão de estranhar. E nós porque perdemos a chance sempre rica de que nos estranhem.</p>
<p>Nos Estados Unidos, apenas 3% de todas as obras publicadas foram escritas em outras línguas que não o inglês. Esta ínfima parcela abarca todos os outros idiomas e todos os gêneros, de livros técnicos à ficção. Se formos pensar apenas em literatura e poesia, o porcentual baixa para 0,7%. Não sei se existem estatísticas sobre qual é a fatia da língua portuguesa neste quase nada, mas parece evidente que é insignificante. Na tentativa de reverter o que chama de &#8220;shame&#8221; (vergonha), a Universidade de Rochester criou, em 2007, um site chamado Three Percent , para debater e divulgar todos esses universos literários que têm quase tanta dificuldade de ultrapassar as fronteiras dos Estados Unidos quanto os imigrantes ilegais. E, mesmo quando superam as barreiras, pouco ou nenhum espaço encontram na imprensa americana.</p>
<p>Uma língua não é apenas um amontoado de palavras que serve para se comunicar, mas um jeito de ser e de estar, de compreender o mundo e a si mesmo, o fora e o dentro. Em cada língua há um universo inteiro, e cada falante a recria a partir de sua experiência. É por isso que a língua é viva e mutante. Se o português falado no Brasil tivesse permanecido o mesmo de cem anos atrás é porque já estaríamos todos mortos. Como disse Fernando Pessoa, nós não habitamos um país, mas uma língua. E aqueles que são os últimos falantes de uma língua morta, porque para ser viva é preciso de um outro que também more nela, tem de renascer em outro idioma para que a vida seja possível. Ninguém vive para além das fronteiras da linguagem.</p>
<p>Saber que apenas 3% dos livros publicados nasceram em imaginários outros diz mais dos Estados Unidos do que de todos aqueles que não são vistos por eles. Na grande potência mundial – ainda que em crise – não se trata apenas de uma exigência de estereótipos, como na Europa, já que não há nem mesmo o interesse pelo clichê do outro. No caso dos Estados Unidos, não é necessário fingir estranhamento, já que parecem desconhecer que estranhar é preciso. A experiência de se abrir para a experiência do outro é ignorada. Ignorada como um não saber que há algo ali que vale a pena. Mesmo que faça todo o sentido por qualquer ângulo que se olhe, de Hollywood à política externa americana, ainda assim me parece espantoso que a língua que se impõe sobre o mundo seja também aquela que é fechada para o mundo de (quase) todos os outros. E isso, com certeza, explica muita coisa.</p>
<p>Não saberia dizer o que é menos pior: se a exigência de um clichê de Brasil também na literatura – o &#8220;suficientemente brasileiro&#8221; com que Anja Saile se depara no contato com os editores europeus – ou a indiferença até mesmo pelo clichê. Acho que a segunda realidade é mais nefasta, porque ao buscar o outro, ainda que seja pelo lugar comum, existe ao menos o risco de encontrar algo que subverta as expectativas e vire os mundos de ponta-cabeça.</p>
<p><strong>E aqui, mais um pouco de Mia Couto:</strong></p>
<p>- O mesmo processo que empobreceu o meu continente está, afinal, castrando a nossa condição comum e universal de contadores de histórias. (&#8230;) O que fez a espécie humana sobreviver não foi apenas a inteligência, mas a nossa capacidade de produzir diversidade. Essa diversidade está sendo negada nos dias de hoje por um sistema que escolhe apenas por razões de lucro e facilidade de sucesso. Os autores africanos que não escrevem em inglês – e em especial os que escrevem em língua portuguesa – moram na periferia da periferia, lá onde a palavra tem de lutar para não ser silêncio.</p>
<p>Quem já viajou à Europa e aos Estados Unidos sabe que é quase impossível encontrar um guia de cidade, museu ou local histórico em português. É preciso se virar com o espanhol, se não souber inglês. No final de 2011, a imprensa deu destaque ao fato de que os brasileiros gastam o dobro do que os outros turistas em Nova York, e muitas lojas já mantêm um vendedor que fala português para facilitar a venda a clientes tão promissores. A economia está colocando a nossa língua pelo menos na boca de garçons e balconistas pelos circuitos turísticos do mundo rico em tempos de crise.</p>
<p>Será que o lugar de potência emergente conquistado pelo Brasil vai aumentar o interesse pela nossa literatura ou pelo nosso modo de ser? A nova posição do país no cenário internacional já começa a produzir novos clichês não só do mundo sobre o Brasil – mas do Brasil sobre si mesmo. O marketing e a propaganda estão aí para provar como se transforma imagem em verdade. Acredito que o estudo dos novos clichês que estão sendo produzidos fora e dentro do Brasil, sobre o Brasil, seja um caminho bem fascinante para compreendermos o momento vivido.</p>
<p>Isso me faz virar o olhar pelo avesso para que possamos enxergar melhor. Como qualquer um sabe, não somos apenas um Brasil, mas muitos. Só de Amazônias temos dezenas, talvez centenas e até milhares. Não há um semiárido, mas uma profusão deles. Assim como são muitos e diversos os Rios de Janeiro e é necessário mais de uma vida para alcançar todas as São Paulo só para descobrir que elas mudaram. Me parece que o Brasil se mantém unido pela sua diversidade – e pela forma de olhar para a sua diversidade. Neste percurso, a música foi bem mais importante do que a literatura.</p>
<p>Me preocupa, porém, a forma com que temos olhado para os outros de nós em um momento com tantas decisões em curso. Em geral, a partir do próprio umbigo e com as fronteiras eletrificadas. Uma parte significativa do que chamamos de brasileiros parece misturar o olhar europeu e o olhar americano, aqui explicitados pela literatura, ao se relacionar com tudo o que compreendemos como o outro. Sejam os miseráveis do Bolsa Família, classificados por uma categoria de renda que anularia suas diferenças; sejam os índios, que são vistos como se fossem todos iguais e, em geral, como um &#8220;entrave ao progresso&#8221;.</p>
<p>Talvez os indígenas sejam a melhor forma de ilustrar essa miopia, forjada às vezes por ignorância, em outras por interesses econômicos localizados em suas terras. Parte da população e, o que é mais chocante, dos governantes, espera que os indígenas – todos eles – se comportem como aquilo que acredita ser um índio. Portanto, com todos os clichês do gênero. Neste caso, para muitos os índios não seriam &#8220;suficientemente índios&#8221; para merecer um lugar e para serem escutados como alguém que tem algo a dizer.</p>
<p>Outra parte, que também inclui gente que está no poder em todas as instâncias, do executivo ao judiciário, finge que os indígenas não existem. Finge tanto que quase acredita. Como não conhecem e, pior que isso, nem mesmo percebem que é preciso conhecer, porque para isso seria necessário não só honestidade como inteligência, a extinção progressiva só confirmaria uma ausência que já construíram dentro de si.</p>
<p>O modelo de desenvolvimento com que vamos alcançar o futuro depende de como olhamos para os outros de nós e de que lugar ocuparão os outros de nós. Se não acolhermos a diversidade e a usarmos para sermos um Brasil mais igualitário – onde todos sejam igualmente diferentes – não acredito que exista muito futuro para nós, mesmo que o presente pareça promissor. O &#8220;Milagre Econômico&#8221; da ditadura militar também parecia muito promissor à parcela da sociedade brasileira que dele se beneficiou – e sabemos muito bem como isso terminou.</p>
<p>Para sermos grandes – com um conceito de grandeza que não se mede apenas em cifras – será vital inaugurarmos um jeito de olhar diferente tanto para o nosso próprio continente – onde começamos a nos impor como uma espécie de &#8220;Estados Unidos da América do Sul&#8221;, como ouço com tristeza cada vez que coloco os pés nos países vizinhos – como na forma como olhamos para dentro de nossas fronteiras. Inaugurar não um olhar condescendente – mas um olhar de quem sabe que tem algo a aprender com o outro.</p>
<p><strong>O que seremos, me parece, será definido pela resposta que daremos a três impasses:</strong></p>
<p>1) Se vamos conseguir construir um modelo de desenvolvimento baseado no século XXI – e não no século XX, como me parece que é o atual;</p>
<p>2) Se vamos acolher os conflitos e dialogar com as culturas dos vários Brasis que nos compõem ou vamos exterminá-los à força, ainda que seja pela força da manipulação da lei;</p>
<p>3) Se vamos conseguir vencer o desafio da educação, mas não só isso: se a inclusão pela escrita será capaz de abarcar a riqueza da nossa oralidade em lugar de silenciá-la.</p>
<p>O que o Brasil será vai depender da sua capacidade – ou não – de incluir todos os outros de si.</p>
<p>No desafio que nos espera, é preciso lembrar que nós não temos língua – somos língua.</p>
<p>Como disse Mia Couto, de forma magistral, na conferência já citada:</p>
<p><em>- O que advogo é um homem plural, munido de um idioma plural. Ao lado de uma língua que nos faça ser mundo, deve coexistir uma outra que nos faça sair do mundo. De um lado, um idioma que nos crie raiz e lugar. De outro, um idioma que nos faça ser asa e viagem.</em></p>
<p>Para &#8220;ser asa e viagem&#8221; é preciso acolher todos os outros de si. Não tolerar o outro, mas ser o outro.</p>
<p>Veremos.</p>
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		<title>Os números de 2011</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 09:44:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Selma Moura</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação Bilíngue]]></category>
		<category><![CDATA[educação bilíngue]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigada a todos os que passaram por aqui e visitaram, comentaram, curtiram ou compartilharam o conteúdo do Educacaobilingue.com</p>
<p>Espero que em 2012 tenhamos ainda mais conteúdo e interação. Feliz 2012!</p>
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<p>Aqui está um resumo do movimento no blog www.educacaobilingue.com:</p>
<p>Este blog foi visitado cerca de <strong>80.000</strong> vezes em 2011. Se fosse o Louvre, eram precisos 3 dias para todas essas pessoas o visitarem.</p>
<p><a href="/2011/annual-report/">Clique aqui para ver o relatório completo</a></p>
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